As bolsas no mundo voltam a ter um dia tenso, após alguns pregões de recuperação. As perdas nas principais praças mundiais giram entre -4% e -6%. O Ibovespa, às 14h52, despencava 4,47%, cotado em 52.610 pontos.
Em Nova York, Dow Jones cai 3,83% e Nasdaq recua 4,8%. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 4,77%. A Bolsa de Londres caiu 4,49%, Paris perdeu 5,48% e Alemanha fechou em baixa de 5,82%. Em Milão, a queda foi de 6,15%, a Bolsa de Madri recuou 4,70% e Lisboa perdeu 4,12%. O ASE, da Bolsa de Atenas, teve recuo de 3,38%.
As ações de bancos tiveram alguns dos declínios mais acentuados do dia. Em Londres, o Barclays perdeu 12%. O Société Générale recuou 12% em Paris e o Dexia caiu 14% em Bruxelas, mesmo depois da introdução de restrições às vendas a descoberto nessas duas praças.
São várias as explicações para a volta do nervosismo ao mercado nesta quinta-feira. Números ruins do mercado de trabalho nos Estados Unidos, relatório do Morgan Stanley falando em grandes chances de recessão nos EUA e na Europa, além de notícias sobre aperto do cerco aos bancos dos Estados Unidos pelos BCs daquele país. Além disso, ontem a Fitch rebaixou a classificação de risco do estado de Nova Jersey (EUA). O cardápio, somado à recuperação dos últimos dias, torna o mercado propenso a fortes quedas. Vale lembrar que, ontem, o Ibovespa atingiu o maior nível desde 3 de agosto, ou seja, havia recuperado toda a perda da semana de pânico e subido um pouco mais.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de dez anos, que são referência nos mercados, atingiu nesta quinta-feira recorde de baixa. Os investidores, assustados com novas notícias ruins sobre a economia mundial, correram novamente para a segurança da dívida dos EUA, o que provoca queda no retorno dos bônus. A rentabilidade caiu para 1,99%, de 2,16% ontem. O recorde anterior foi de 2,03%, diz a CNN Money.
Nos EUA, o mercado de trabalho e a inflação deram sinais de piora. O número de pedidos de auxílio-desemprego subiu 9 mil, para 408 mil, na semana passada, superando bastante a expectativa de alta de 5 mil pedidos, para 400 mil. Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,5% em julho, superando previsão de alta de 0,3%. O núcleo, no entanto, subiu 0,2%, como esperado.
O Morgan Stanley informou que revisou suas previsões para o crescimento dos EUA e da zona do euro e disse que os novos cálculos indicam que as duas regiões estão se aproximando perigosamente de uma recessão. "As principais razões para a redução nas projeções, além dos indicadores econômicos decepcionantes, são recentes erros políticos nos EUA e na Europa somados à perspectiva de mais aperto fiscal em 2012", diz.
A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro foi cortada para 1,7% neste ano e 0,5% em 2012. Anteriormente, as projeções do banco eram de expansão de 2,0% e 1,2%, respectivamente.
Além disso, as autoridades reguladoras federais e estaduais nos Estados Unidos estariam intensificando seu monitoramento das unidades americanas de grandes bancos da Europa diante do temor de que a crise da dívida europeia possa respingar no sistema bancário dos EUA. A informação foi passada por pessoas a par da situação ao Wall Street Journal.
O Fed Nova York, que supervisiona as operações americanas de muitos bancos europeus, teria realizado recentemente várias reuniões com credores para avaliar suas vulnerabilidades à escalada das pressões financeiras. O Fed, segundo as fontes ouvidas pelo WSJ, está pedindo mais informações dos bancos sobre o acesso aos recursos necessários para as operações do dia a dia nos Estados Unidos.
As autoridades reguladoras buscam evitar uma repetição da crise de 2008, quando o sistema financeiro global começou a emperrar. Agora, conforme a reportagem do WSJ, a preocupação é de que a crise da dívida na zona do euro possa afetar a capacidade dos bancos europeus de financiar empréstimos e de atender a outras obrigações financeiras nos EUA.
O analistas da Lerosa investimentos afirmam que a impressão de que há um “descompasso entre a velocidade da crise bancária européia e a tentativa de solução por parte dos políticos europeus” está piorando o humor dos investidores. Para eles, as revisões de crescimento nos Estados Unidos e o aumento do controle das subsidiárias norte-americanas na Europa por parte do FED indicam que a situação econômica mundial volta a ter contornos de indefinição e aumenta o grau de aversão pelo risco.
Com a busca dos investidores por segurança, o ouro está cotado em sua máxima histórica e os retornos dos títulos norte-americanos estão em baixa.
Para completar o quadro adverso, a Fitch Ratings rebaixou a classificação de risco dos bônus do Estado de Nova Jersey (EUA) de AA para AA-, apesar de ter contrariado a Standars and Poor's e mantido o rating dos Estados Unidos, como país. A perspectiva do rating também foi reduzida de estável para negativa.
Também não agradou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, ter dito que rejeita a ampliação do fundo de resgate da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês).
IG
Da redação do Plox
Comentar