A ministra da Secretaria das Mulheres, Iriny Lopes, disse ontem que o governo federal não vai "cruzar os braços" em relação à questão do turismo sexual na Amazônia, noticiada pelo jornal norte-americano "The New York Times" na edição de sábado. Iriny afirmou que hoje decidirá o melhor procedimento sobre o caso e que, se for necessário, a pasta enviará uma comissão à Amazônia.
"O mais importante é ver em que situação se encontra o processo, buscar atuar junto a ele, uvir testemunhas se for preciso. Tomei conhecimento do caso pela matéria. Amanhã (hoje) tomaremos pé da situação e, se for necessário, enviaremos uma comissão à Amazônia", disse a ministra em entrevista ao site G1.
Segundo a reportagem, a empresa norte-americana Wet-A-Line Tours, formalmente conhecida pelo turismo de pesca, vende também pacotes sexuais turísticos na Amazônia. Segundo o "The New York Times", o dono da agência investigada negou as acusações. A reportagem tentou entrar em contato com o empresário, sem sucesso.

Para Iriny, a prioridade é acompanhar o processo para que ele não seja interrompido, como, de acordo com o jornal norte-americano, quer o dono da Wet-A-Line Tours. "Precisamos acompanhar para que o caso não seja arquivado, o que não pode é ele interromper o curso da investigação, é complicado. O que ele quer esconder? Por que não quer que o processo?", questiona a ministra.
Equipe. Iriny garantiu que ainda hoje irá procurar a colega dos Direitos Humanos, ministra Maria do Rosário, para reforçar a atuação no caso. Ela lamentou a repercussão internacional da notícia, mas classificou a visibilidade do caso como "importante, pois, segundo ela, mostra que o Brasil está atento à questão.
"Não conhecia esse processo, não chegou pelo 180 denúncias (número da Central de Atendimento à Mulher). Essa repercussão tem dois lados: é ruim para nós do ponto de vista internacional por passar a ideia de que o turismo sexual é algo fácil. Mas tem outro lado que é importante: mostra que nós não estamos dando trégua", avaliou.
O Ministério da Justiça brasileiro informou que o caso está sob investigação pela Polícia Federal.
ONG denunciou caso em site
Brasília. O "The New York Times" cita como fonte o site da ONG de direitos das mulheres Equality Now, segundo a qual o processo foi aberto nos EUA por quatro meninas indígenas que afirmaram terem sido aliciadas quando tinham menos de 18 anos.
Segundo a ONG, a Wet-A-Line Tours atuava há anos organizando viagens pesqueiras, principalmente para norte-americanos, e aliciava meninas de comunidades indígenas com promessas de lucros financeiros. Quando estavam no barco, elas recebiam bebidas e drogas para fazerem sexo com os turistas.
O Tempo
Da redação do Plox
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