quarta-feira, 24/08/2011

Conta de luz é o item que mais pesa nas despesas do mineiro

A conta de luz do consumidor mineiro ganhou o maior peso: corresponde a 30,9% das despesas correntes de uma família, o primeiro lugar no "ranking" daqueles gastos de primeira necessidade para a rotina das pessoas. O dado faz parte da pesquisa de julho da Federação do Comércio (Fecomércio Minas) sobre o "Orçamento Doméstico do Consumidor de Belo Horizonte". Nos levantamentos anteriores, o índice foi 20,7% em março e 19,2% em maio.

Dentre os 18 itens essenciais das despesas correntes, os três que mais pesam no bolso são energia elétrica, água e alimentação. A coordenadora do departamento de economia da Fecomércio Minas, Silvânia Araújo, disse que a energia elétrica está liderando o ranking das contas porque as pessoas estão comprando mais eletrodomésticos. "Isso acaba trazendo um comportamento de menor disciplina no consumo. A energia cara acaba impactando também na vida das pessoas", disse Araújo.

É o caso da assistente administrativa Cynthia Monteiro, que viu a conta de luz de R$ 90 virar R$ 128 depois que passou a ficar mais em casa e comprou fogão e geladeira novos, há quatro meses. "Antes, com a casa mais fechada, a conta já era considerada alta para a família de dois adultos e uma criança", disse Cynthia, que vai reduzir o tempo de banho e deixar o computador menos ligado. A conta de água também saltou de R$ 20 para R$ 90. "Fiz uma reclamação, e neste mês veio R$ 35", contou.

O professor Ricardo Rocha, da Fundação Vanzolini, afirma que as pessoas estão comprando mais computadores, e a demanda por alguns produtos que gastam energia aumentou, como o chuveiro elétrico e ar-condicionado. "A energia no Brasil é uma das mais caras do mundo, por isso o consumidor tem que verificar quanto está pagando de imposto, que é alto, além da tarifa. O consumidor não reclama", alertou Rocha.

O computador ligado o dia inteiro na casa do publicitário Rivadávia Carmo virou um retrato da falta de disciplina. Nos últimos dois meses, a conta de luz do publicitário, que era de R$ 80, chegou a R$ 120, em uma casa com apenas duas pessoas. "Além de banhos mais curtos, vamos parar de deixar os equipamentos eletrônicos no ‘stand by’ e computadores ligados a noite inteira baixando arquivos", contou Rivadávia, sobre a nova ordem na casa.

Pagamento no cartão. O cartão de crédito continua sendo o meio de pagamento mais popular. Ele representou 60,3% dos empréstimos e financiamentos de todas as modalidades, segundo a economista da Fecomércio Minas, Silvânia Araújo. "É uma certa contradição: enquanto as pessoas buscam o planejamento, elas têm um grande estímulo para comprar por impulso", afirmou.

O contador José Luiz Ruela toma todo o cuidado com cartões. "Tenho cartões, mas gasto só o necessário, tenho que viver dentro das minhas possibilidades", disse.

A pesquisa da Fecomércio Minas, que entrevistou 400 pessoas, no período de 28 de julho a 4 de agosto, mostrou que 42,7% dos entrevistados estão cortando itens supérfluos para gerenciar o desequilíbrio. Em seguida, estão utilizando a poupança (15%) e tomando empréstimos com familiares e/ou terceiros (12,4%).

O Tempo

 

Da redação do Plox

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