A presidente Dilma Rousseff não quer trocar mais nenhum ministro até a reforma ministerial que deve acontecer para as eleições municipais do ano que vem. A ideia é que mesmo alguns ministros que não pretendem concorrer nas eleições sejam substituídos. A saída de Pedro Novais (Turismo) e Mário Negromonte (Cidades), por exemplo, é dada como certa.
Além de as duas pastas estarem envolvidas em suspeitas de corrupção, o trabalho dos dois não agradou a presidente até aqui. Lideranças do PMDB, partido de Novais, já estão cientes e conformadas com sua provável substituição em um futuro próximo. A ressalva, porém, é que as mudanças devem ser antecipadas se alguma suspeita recair diretamente sobre esses ministros.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), informou a decisão da presidente aos líderes aliados durante almoço, ontem, da base aliada ao governo. O PR, mais uma vez, não participou.

Depoimento. O ministro Pedro Novais repetiu ontem em depoimento no Senado praticamente todo o seu discurso feito na Câmara na semana passada. Novais prestou depoimento à comissão de Turismo e, com o dedo apontado para ministros petistas que o antecederam na pasta, disse que o Turismo é cheio de "informalidades". "As irregularidades são das administrações anteriores a 31 de dezembro de 2010", se referindo aos ministros petistas.
Já o ministro das Cidades, Mário Negromonte, disse que "vai terminar em sangue" a briga interna no PP pelo controle da pasta. Ele culpou o grupo que apoiava seu antecessor - Márcio Fortes, também do PP - pelas informações de que ofereceu um mensalinho de R$ 30 mil para políticos do grupo rival no PP.
A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que a disputa na bancada do PP é acompanhada pelo Planalto. Ela defendeu a permanência de Novais e Paulo Bernardo no governo.
Rejeição
União. A base aliada conseguiu rejeitar pedido de convocação feito pela oposição para que o ministro da CGU, Jorge Hage, fosse convocado para falar na Câmara sobre as denúncias de corrupção em vários ministérios.
Oposição quer convocar Bernardo no Senado

Brasília. A oposição no Senado pediu ontem a convocação do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para dar explicações sobre o uso de aeronaves de uma empresa privada. Reportagem da revista "Época" divulgada no fim de semana informou que o ministro viajou recentemente num avião da construtora Sanches Tripoloni, que faz obras para o governo federal. O requerimento foi apresentado pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) à Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle da Casa.
Bernardo foi cobrado, ontem, pela oposição a esclarecer suas relações com a empreiteira durante a audiência pública na Câmara para tratar da implantação da rádio digital no país. O ministro disse apenas que se lembra de que "pegou carona" numa aeronave pequena, mas não disse a quem pertencia. A aeronave da Sanches Tripoloni é um turbo hélice. O ministro afirmou que é amigo há anos de um dos donos da empresa.
O procurador geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que, "como postas na imprensa", as denúncias "são graves". Gurgel disse, porém, que precisa analisar os fatos.
Liberação de emendas é acelerada
Brasília. No momento em que a presidente Dilma Rousseff enfrenta insatisfação de partidos aliados, o governo acelerou a liberação de restos a pagar de emendas parlamentares. Nas três primeiras semanas de agosto, houve um crescimento de cerca de 35% na liberação das emendas genéricas, conhecidas como coletivas, em relação a todo o mês de julho.
Ontem, a presidente participou de jantar com o PMDB no Palácio do Jaburu - residência oficial do vice Michel Temer. Cerca de 150 peemedebistas foram convidados, incluindo deputados, senadores, ministros, governadores e ex- ministros.
O Tempo
Da redação do Plox
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