Normalmente com mais de dez candidatos por vaga, os cursos de engenharia estão sempre entre os mais procurados nos vestibulares. Se a luta para os engenheiros entrarem na universidade é grande, a disputa por eles quando se formam tem sido ainda maior. Tanto que, diante da demanda aquecida, as grandes empresas estão criando os próprios programas de capacitação para segurarem essa mão de obra. Com isso, os recém-formados chegam a ganhar bolsas de mais de R$ 3.000 e salários iniciais de mais de R$ 4.000, além de terem cursos de especialização custeados pelos futuros empregadores.
A Vale criou três cursos de pós-graduação voltados para mineração, ferrovia e porto. Para participar, o profissional precisa ter até três anos de formado em alguma modalidade da engenharia ou geologia. São três meses de aulas com bolsas de R$ 3.200. Os cursos de ferrovia e porto acontecem em São Luis (MA). O de mineração é em Minas Gerais, em Ouro Preto. É um curso customizado para a Vale, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), que contou com a ajuda de profissionais da mineradora para a elaboração do conteúdo, de acordo com as defasagens do mercado.

A coordenadora da área de recursos humanos da Vale, Edilene Senna, afirma que, embora o foco seja a mineração, o curso não é voltado apenas para quem se formou em engenharia de minas. "Pelo contrário, como a oferta de profissionais dessa área é pequena, o objetivo é dar especialização ao profissional de qualquer atividade da engenharia, seja mecânica, mecatrônica ou elétrica", afirma.
Segundo ela, o interesse da empresa é capacitar para absorver essa mão de obra. "Em cursos como o de engenheiros ferroviários, já tivemos aproveitamento de 100% dos alunos. A tendência é que todos sejam contratados", destaca Edilene.
Essa é a expectativa do engenheiro de minas Hary Wisel, 38, que termina em julho a especialização da Vale em mineração. Ele, que se formou em São Paulo, conta que durante o curso nunca faltou estágio. "A mineração vive uma época de ouro, todos os minerais estão em ascensão e as oportunidades surgem", conta o aluno. "O curso não implica contratação, mas é muito bom termos uma perspectiva de trabalhar em uma empresa grande, onde temos mais chances de crescimento", afirma Wisel.
Para fisgar talentos, a Usiminas criou o programa "Jovens Engenheiros da Mineração". São 30 vagas para formados em engenharia de minas, mecânica, mecatrônica, metalúrgica, civil, ambiental ou geologia, de julho de 2008 a julho de 2011. A seleção já começou e eles serão contratados em setembro. Eles passarão por ações de desenvolvimento técnico e humano por 36 meses, evoluindo nas diversas carreiras da empresa. O salário inicial é de R$ 4.633, além de participação nos lucros e resultados (PLR) e assistência médica e de transporte.
Profissionais são os mais valorizados
Das cinco profissões que tiveram maior aumento de salário de maio de 2010 a maio de 2011, três são engenharias. A campeã, segundo o ranking da Catho Online, é a engenharia agrícola/agronômica, com um aumento de 38,2%. Os salários estão subindo porque a demanda pelos engenheiros está em alta. Na avaliação do coordenador do curso de engenharia de produção da Estácio de Sá, Rodrigo Bonatti, essa é a tendência pelo menos para os próximos dez anos. "O Brasil é hoje um país em desenvolvimento e não vai parar facilmente. Como as engenharias estão muito interligadas, um aquecimento pela civil também aquece a elétrica, a de automação e outras", exemplifica.
A Estácio de Sá se prepara para lançar mais quatro cursos. "Estudamos implantar as engenharias mecânica, elétrica, civil e de automação já para 2012", afirma.
Iveco banca especialização
Para atrair recém-formados para a indústria automotiva, a Iveco lançou o programa "Start!", que banca uma pós-graduação nas áreas de engenharia automotiva e engenharia de manufatura e estratégia empresarial. A empresa está em processo seletivo, com 60 vagas. Além de bancar o curso, que tem dez meses de duração na PUC de Sete Lagoas, além de oito meses de aulas práticas dentro da montadora, a Iveco paga uma bolsa mensal de R$ 2.387. "Se somarmos a bolsa com o valor da pós, o total corresponderia a um salário médio de R$ 7.000", calcula a diretora de Recursos Humanos da Iveco, Ionara Pontes.
O objetivo é formar e capacitar mão de obra especializada para a Iveco. "Queremos profissionais que façam carreira na montadora, que é a que mais cresce no setor de caminhões no Brasil", explica o presidente da Iveco Latin America, Marco Mazzu.

O processo seletivo começou em junho. Os candidatos inscritos no "Start!" farão testes online de conhecimentos gerais, raciocínio lógico e português. Depois serão feitos exames psicotécnicos e entrevistas. Os selecionados serão avaliados pelos gestores da Iveco.
A expectativa da Iveco é absorver 100% das turmas. As aulas começam em agosto e as inscrições ainda estão abertas. Mais informações no site www.ivecostart.com.br.
O Tempo
Da redação do Plox
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