As obras necessárias em rodovias de Minas Gerais, que deverão ter investimentos de R$ 20 bilhões, segundo anunciou ontem a base aliada da presidente Dilma Rousseff, criaram um embate entre os governos estadual e federal. A oposição à administração tucana no Estado, liderada pelo PT, afirma que Minas perdeu investimentos nos últimos anos por falta de articulação e projetos. O PSDB mineiro, por sua vez, garante que Minas não recebe recursos. O debate serviu para acirrar os ânimos e deixar ainda mais complicada a formação da aliança que o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), pretende fazer em 2012. O socialista está dividido entre tucanos e petistas, que o apoiaram em 2008. Por outro lado, PT e PSDB aguardam uma definição de Lacerda.
"Vamos dar a resposta através de grandes obras que Minas necessita para resolver seus gargalos", disse o presidente estadual do PT, Reginaldo Lopes, após encontro com integrantes de partidos da base de Dilma, como o PR e PMDB. Segundo ele, "o governo tucano capitalizou" os investimentos da União em Minas. Lopes garantiu que faltaram projetos executivos da administração estadual para que as obras saíssem do papel. "A oposição, que é governo em Minas, tem que ter mais cautela (ao criticar possível falta de investimento da União)", ressaltou.
O bloco governista na Assembleia reagiu. Em comunicado enviado ontem à imprensa, afirmou que "os gargalos existem, mas o dinheiro não chega ao Estado". A nota cita, ainda, o que o bloco chama de "outros exemplos da exclusão de Minas por parte do governo federal do PT". Entre eles, o grupo aliado ao governo estadual enumera as obras de ampliação do metrô, do aeroporto de Confins, e de ampliação da BR-381.
O senador Clésio Andrade (PR) garantiu que há 52 projetos para rodovias federais mineiras aprovados pelo Dnit. "São três importantes licitações que já estão decididas (Anel Rodoviário, BR-381 e BR-040) para Minas. Os recursos estão garantidos e vão ser adicionados de acordo com a licitação de novos lotes", garantiu.

Ele afirmou, ainda, que a aprovação técnica, uma das fases mais complicadas, já está superada. "O Ministério dos Transportes já aceitou. Já está aprovado tecnicamente. Nós consideramos que vamos conseguir todos esses resultados nos próximos quatro anos. R$ 20 bilhões em quase quatro anos, nós devemos conseguir (...) com todo o esforço que estamos fazendo", disse.
Segundo ele, o governo federal está preocupado com Minas. "A presidente Dilma está trazendo grandes obras para Minas. É o que importa para a gente. As obras vão ser executadas", afirmou o senador.
Principais obras estão aprovadas
O senador Clésio Andrade avalia que "faltou entrosamento" entre Estado e União nos últimos anos para tornar realidade as obras em estradas federais de Minas. Mas acredita que essa situação está mudando. "A presidente Dilma está fazendo muito em cinco meses", diz, apoiando-se nas licitações que, segundo ele, vão ser realizadas nos próximos meses, com prioridades para as rodovias BR381, BR040 e para o Anel Rodoviário.
"Há dez anos Minas não vem recebendo investimentos federais. Eu acho que acordos eleitorais não funcionam, deveriam ter sido feitos acordos administrativos", declarou.

No entanto, o parlamentar procura deixar claro que as dissonâncias entre a base aliada do governo federal e a oposição não vão prejudicar os serviços de infraestrutura no Estado. Ele cita como exemplo os trabalhos realizados pelos senadores Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS), que fazem oposição à administração de Dilma Rousseff. "O senador Aécio Neves e o senador Itamar Franco são oposição à presidente Dilma, oposição ao governo federal. O papel deles é criticar, é mostrar erros do governo. Mas, eventualmente, até pela importância, tenho certeza que todas as horas em que puderem ajudar nesse interesse maior de Minas, eles vão ajudar", disse.
Entre as obras que o senador Clésio Andrade detalhou como aprovadas pelo Dnit para Minas Gerais há serviços previstos para 24 estradas federais que cortam o Estado.
A expectativa é que a BR040 passe por reforma em oito trechos, em diferentes regiões do Estado. Outros quatro lotes da BR116, que corta o território mineiro de Norte a Sul, deverão ser contemplados, além da BR459, que dá acesso ao Estado de São Paulo. "Essas obras serão investimentos bastante expressivos para Minas. Elas são o início da recuperação da importância de Minas", concluiu
O TEMPO
Da redação do Plox
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