Índice foi acima da inflação anualizada, alerta sindicato dos médicos
Abrangência. Cerca de 8 milhões de usuários serão afetados com a medida da Agência Nacional de Saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixou em 7,69% o índice máximo de reajuste para os planos de saúde médico-hospitalares individuais e familiares contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à lei nº 9.656/98. O percentual incidirá sobre os contratos de cerca de 8 milhões de consumidores, o equivalente a 17% dos consumidores de planos no Brasil.
O índice de reajuste será aplicado aos contratos com aniversário entre maio de 2011 e abril de 2012, a partir da data de aniversário de cada contrato. Para contratos que já venceram, poderá ser feita cobrança do valor retroativo, caso a defasagem seja de no máximo quatro meses.
Alguns contratos, firmados até 1º de janeiro de 1999, também podem ser reajustados pelo índice divulgado pela ANS, caso a regra de reajuste prevista no contrato não seja clara. A agência ressalta ainda que, caso o usuário mude de faixa etária definida em contrato na mesma época da liberação de reajuste, o plano vai sofrer os dois aumentos.
O reajuste nos planos de saúde provocou indignação por parte dos usuários. A dona de casa Rita de Cássia Pinheiro Leal, 28, que ficou mais de uma hora à espera de atendimento para seu filho Otávio Augusto Pinheiro Pimenta, 1, no hospital de uma operadora de plano de saúde, em Contagem, afirmou que o atendimento está cada vez pior. "Esse aumento é um absurdo. A qualidade é péssima em qualquer plano de saúde. Já cheguei a esperar mais de duas horas na urgência", disse.
Para o contador Carlos Augusto Nunes, 46, o aumento não tem justificativa, principalmente porque os médicos não têm reajuste. "A gente fica com raiva porque é mal atendido, mas também é preciso ver o lado dos médicos, que trabalham estressados e ganham pouco. Hoje vale mais a pena ir a um hospital público. A qualidade do atendimento é melhor e você não espera tanto", ponderou.
Em nota, a Unimed-BH disse que aplicará o reajuste dos planos de saúde individuais e familiares celebrados a partir de 1999, como definida pela ANS.
Sobre a remuneração dos médicos cooperados, a Unimed informou que em junho teve início um amplo programa de valorização do trabalho médico, que inclui o reajuste de 11,11% para as consultas médicas e de até 20% para os honorários de outros procedimentos.
A operadora informou ainda que o programa representará um incremento na remuneração médica da ordem de R$ 50 milhões em um ano.
Valores
Orientação. ANS orienta aos consumidores a observarem nos boletos se o valor absoluto e o percentual estão identificados. O usuário pode entrar em contato pelo telefone 0800-701-9656
USUÁRIO
Aumento não garante qualidade de serviços
O anúncio do reajuste vem em meio a uma série de paralisações e descredenciamento de médicos de planos de saúde. Os profissionais reclamam que o aumento de preço dos planos de saúde não é repassado aos prestadores de serviço.
O diretor da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Alcebíades Leal Filho, lamentou o alto valor do reajuste e afirmou que o usuário será o maior prejudicado. Para ele, os clientes vão pagar mais por um serviço onde a qualidade de atendimento vem diminuindo. "O reajuste não é repassado aos médicos, que estão cada vez mais desmotivados", salientou. O presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Cristiano Matta Machado, observou que o aumento foi acima da inflação. "O trabalhador que faz parte de um plano empresarial tem mais garantias", comentou, (RMM)
Da redação do Plox
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