quinta-feira, 28/07/2011

Governo prepara medida para conter a alta do etanol

O governo definiu ontem alguns pontos da política permanente para o setor sucroalcooleiro, que terá forte presença estatal, por intermédio da Petrobras e de financiamento de bancos públicos. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou, após reunião interministerial para tratar do tema, que a Petrobras vai emprestar R$ 4,1 bilhões à sua subsidiária de biocombustíveis para ampliar investimentos e permitir que a estatal aumente de 5% para 12% sua participação no mercado brasileiro de etanol, em três a quatro anos. Os recursos já estão previstos no plano de investimentos da petrolífera.

Também haverá uma medida provisória com benefícios como juros mais baixos e prazos mais longos para crédito a usineiros. O objetivo é elevar a capacidade de produção e de estocagem de álcool. Haverá linhas do BNDES e do Banco do Brasil. A armazenagem será de responsabilidade dos produtores.

Esta é uma das formas de se evitar uma explosão dos preços do álcool combustível durante a entressafra ou toda vez que a cotação do açúcar ficar muito atraente, o que reduz a matéria-prima disponível para a fabricação de etanol. O governo desistiu temporariamente, porém, de reduzir a mistura de álcool anidro à gasolina, dos atuais 25% para 18%. "O mercado está razoavelmente estável. Não há risco de desabastecimento de etanol nem de gasolina. A situação se estabilizou. Por isso, marcamos uma reunião para daqui a 30 dias", disse.

A proposta vinha sendo trabalhada nos últimos três meses, após a disparada de preços do etanol, o que também pressionou o preço da gasolina. Outra medida temporariamente fora do cardápio é a taxação da exportação de açúcar.

Lobão minimizou ainda a pressão por aumento da gasolina. "A Petrobras tem suas necessidades, o que não quer dizer que o governo vai concordar".

Não podemos antecipar se terá alta na gasolina, diz Gabrielli

 O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, voltou a afirmar ontem que a empresa vai manter a política de acompanhamento dos preços dos derivados de petróleo (como a gasolina) no mercado internacional no longo prazo. Segundo ele, ainda não é possível dizer se o preço da gasolina vai ou não subir, apesar de já haver elevação no mercado internacional.

"Não podemos antecipar se haverá alta", afirmou Gabrielli. "Não vamos dizer se o preço vai aumentar. Se vai ser hoje, amanhã ou daqui a dois meses. O que nós estamos dizendo é que, nos últimos oito anos, a nossa política de preços foi acompanhar os preços internacionais", disse.

Gabrielli disse ainda que a Petrobras deverá importar um volume maior de gasolina, caso o governo decida reduzir a mistura de etanol no produto.

 O Tempo

Da redação do Plox

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