Uma audiência pública, marcada para esta sexta-feira, é a esperança dos moradores de Coronel Fabriciano, na busca de uma solução para a crise da saúde pública na cidade, que tem 100 mil habitantes. No fim da semana passada, o Hospital Siderúrgica, o único credenciado ao Sistema Único de Saúde (SUS) no município, foi fechado.
O prefeito Chico Simões (PT) pediu ajuda ao Ministério Público. Município e Estado cobram uma explicação sobre o uso dos recursos repassados ao hospital. Por nota, a Associação Médica São Sebastião, provedora da unidade de saúde, alega que "não obteve um certificado do Conselho Nacional de Assistência Socil, necessário para obter imunidade tributária" e, por isso, passa por dificuldades. Procurada para esclarecer o processo de aquisição do certificado, nenhum responsável foi encontrado.
"A prefeitura injeta cerca de R$ 1,4 milhão anualmente para garantir o funcionamento do hospital. Eles alegam que há um déficit. Nós estamos tentando averiguar quais são essas dificuldades financeiras porque não temos mais recursos para investir", afirmou o secretário de Saúde de Coronel Fabriciano, Rubens Castro.
Ainda segundo o secretário, o Vale do Aço tem uma média de um leito para cada mil habitantes, e o fechamento do hospital representa uma redução de 800 leitos. O setor de obstetrícia interrompeu as atividades há cerca de um ano, o que já denunciava a difícil situação do hospital.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que investiu R$ 1,7 milhão no hospital em 2010. Além disso, outros R$ 2,1 milhões foram investidos desde 2007. Ainda de acordo com a assessoria da secretaria de Estado, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para atender casos de urgência e emergência deve ser implantada no município até o fim do ano.

Além da audiência pública, o município pediu ajuda aos ministérios públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) - o prefeito da cidade, Chico Simões (PT), acionou os dois órgãos, na última sexta-feira, logo após receber o comunicado do fechamento do hospital.
Audiência. Na audiência marcada para a próxima sexta-feira, são esperados representantes do governo federal, do Estado, do município e representantes da associação que mantém o Hospital Siderúrgica.
Cresce demanda de vizinhos
Enquanto a situação da saúde em Coronel Fabriciano não é resolvida, os municípios vizinhos, Timóteo e Ipatinga, sofrem com o aumento da demanda. De acordo com informações do Ministério Público Estadual (MPE), a diretoria do Hospital Maternidade Vital Brasil, em Timóteo, fechou o mês de junho com déficit de R$ 700 mil em função do aumento da demanda mesmo antes de fechar, o atendimento do Hospital Siderúrgica já era precário, e seus usuários recorriam às cidades vizinhas.
Como o hospital de Timóteo tem 85% dos pacientes provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS), a direção suspendeu, a partir de agosto, o atendimento a pacientes vindos de municípios vizinhos.
O prefeito de Timóteo, Sérgio Mendes, afirmou que não tem como receber os pacientes de municípios vizinhos e cobrou a construção de um hospital regional para o Vale do Aço. "É uma carência que precisa ser resolvida. As entidades filantrópicas não conseguem sobreviver só com a tabela do SUS", disse.
O secretário de Saúde de Coronel Fabriciano, Rubens Castro, reconhece que, enquanto a situação do atendimento na cidade não for resolvida, ele não tem outra opção a não ser desviar o atendimento para os vizinhos.
"É preciso definir essa situação porque não temos retorno do dinheiro que foi investido. Estamos colocando dinheiro no hospital e podemos estar prejudicando a atenção básica, tendo em vista que a população não está sendo atendida", lamentou.
O Tempo
Da redação do Plox
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