Cafeicultores têm até 30 de agosto para refinanciar suas dívidas
O mercado mundial de café vive um momento de níveis de estoque despencando e preços disparando. Em maio de 2011, o agricultor brasileiro chegou a ver a cotação do grão bater um recorde de 34 anos. Apesar da acomodação no valor nos meses seguintes, a cotação ainda é alta se confrontada com a de anos anteriores.
Na comparação dos preços da saca de 60 quilos do café arábico, houve uma valorização de 56% entre julho de 2010 e julho de 2011. Hoje, o valor varia entre R$ 455 e R$ 470. Em 2010, o valor girava em torno de R$ 300.
A explicação para as altas dos preços são os problemas enfrentados por alguns grandes produtores mundiais. A Colômbia - principal concorrente do Brasil em cafés de qualidade - e o Vietnã tiveram sucessivas quebras de safra e problemas para manter o nível de produção. Com a pouca oferta mundial e os preços em alta, o produtor brasileiro enxergou boas perspectivas.
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"É um momento bom, mas poderia estar sendo melhor aproveitado. O preço está alto no mercado internacional, mas temos de lembrar do problema cambial. O dólar desvalorizado limita nossos ganhos", diz o presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Breno Mesquita.
Segundo ele, os ganhos do produtor não correspondem à valorização do produto brasileiro no mundo e que esse momento poderia estar sendo aproveitado para uma modernização da produção e aquisição de novas tecnologias. "Os ganhos têm sido insuficientes até para que os produtores cubram as perdas e os passivos acumulados nos últimos anos quando poderia ser o momento para importação de máquinas, por exemplo".
Mesmo com as incertezas da economia mundial e com a perda do peso comercial de algumas nações importantes da União Europeia, a perspectiva de especialistas e analistas de mercado é que a alta do café se sustente pelo menos até os próximos dois anos.
Exportação cresce, mas atingir mercado chinês ainda é sonho
A fome da China por commodities ainda não chegou ao café brasileiro. As importações chinesas do grão são irrelevantes e atingir o enorme potencial consumidor do país ainda é um sonho do produtor brasileiro.
O crescimento de 80% nas exportações brasileiras de café entre 2002 e 2010, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), se sustenta nos mercados tradicionais.
Nesse período, a venda de café para a Bélgica cresceu 130%. Para os Estados Unidos, o crescimento foi de 95%, para a Itália 36%, para o Japão 34% e para a Alemanha 23%. Juntos, esses países representam 60% de todo o café que o Brasil exporta. Essa é a mesma proporção identificada no balanço de 2002.
Nos oito anos analisados, o volume de exportações de café no mundo cresceu apenas 8%. (PG)
DÍVIDAS
Funcafé tem R$ 300 mi para negociar
Cafeicultores com passivos de até R$ 200 mil reais têm apenas até 30 de agosto para se beneficiaram de uma resolução do Ministério da Agricultura para financiamento da dívida.
A resolução 3.699, de março desse ano, destina R$ 300 milhões do Fundo de Defesa da Economia do Café (Funcafé) para o refinanciamento de débitos concedidos junto às instituições financeiras que integram o Sistema Nacional de Crédito Rural e são filiadas ao Funcafé. A taxa de juros cobrada na operação é de 6,75% ao ano.
Embora o objetivo da medida seja beneficiar os pequenos e médios produtores, mais vulneráveis às variações do mercado, a resolução é aberta a produtores de todos os portes.
"Naturalmente, a proposta por um limite baixo, de R$ 200 mil, é para que o recurso disponível fosse mais pulverizado", diz o criador da proposta e presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária, Breno Mesquita. (PG)
O Tempo
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