Produzir um carro no Brasil é 60% mais caro do que na China e custa 55% a mais do que no México. A conclusão é do estudo Competitividade do Setor Automotivo Brasileiro, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que analisou uma série de variáveis como custo do capital, da mão de obra, dos insumos e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil está em desvantagem em todos os quesitos avaliados, tanto na comparação com países emergentes, quanto em relação aos países desenvolvidos.
"O estudo é sobre a indústria automotiva, mas as conclusões valem para a economia como um todo", diz o coordenador do curso de negócios internacionais da Fumec, Walter Victorino. Ele explica que ter o custo de produção tão alto pode trazer sérias consequências para o país. "Uma montadora que quiser investir vai pensar duas vezes antes de escolher o Brasil e o país pode entrar em um processo de desindustrialização", diz.
O professor do Ibmec e doutor em economia Márcio Antônio Salvato explica que, com o custo de produção nas alturas, o carro brasileiro fica mais caro do que o produzido em outros países, mas, mesmo assim, a indústria nacional bate recordes sucessivos de vendas porque há uma grande demanda reprimida. Ao mesmo tempo, o país perde na disputa com outros países por investimentos e pelo mercado internacional.
Custo e burocracia. Uma empresa instalada no Brasil gasta 2.600 horas por ano para administrar a burocracia tributária. Nos Estados Unidos, o tempo necessário é 15 vezes menor. Além de burocrática, a estrutura tributária brasileira é pesada. No país, os impostos consomem mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e sugam parte da capacidade de investimento.

Os gastos com insumos como água e luz também são altos no Brasil. Para produzir aqui, a empresa paga, em média, 0,81 por metro cúbico de água. Se estiver na Europa, o custo cai para 0,58. Na Argentina, o gasto é ainda menor, 0,09. Para energia elétrica, a situação se repete. Enquanto no Brasil o Kw/h custa 0,10, na Argentina o gasto é de 0,04.
Outro fator que encarece a produção é o custo do capital. Além de ter a maior taxa básica de juros real, o país ainda onera o crédito com a exigência de garantias que podem chegar a 30% do capital de giro ou 45% das duplicatas.
Para completar o cenário desanimador, o país investe pouco em pesquisa e desenvolvimento. Enquanto países como a Coreia e o Japão aplicam 3,5% do PIB na busca por inovações, no Brasil o percentual é de apenas 1%.
Importações estão em alta
Os carros que saem das linhas de produção brasileiras são caros e o real está valorizado frente ao dólar. Somados, os dois fatores levam à queda nas exportações e ao aumento das importações. Em 2010, o país vendeu 502 mil unidades ao exterior e trouxe 660 mil carros produzidos em outros países para rodar nas ruas brasileiras. O déficit na balança comercial foi de 158 mil unidades e deve aumentar neste ano.
A expectativa da Anfavea é que os importados, que representaram 21,7% do mercado nacional em 2010, passem a ser 23% do total. "Cada carro importado é um a menos produzido no Brasil. É menos imposto, menos emprego", afirma o coordenador do curso de negócios internacionais da Fumec, Walter Victorino.
O professor do Ibmec e doutor em economia Márcio Antônio Salvato lembra que as importações não estão restritas a veículos prontos. "A balança comercial também é negativa em autopeças. As montadoras importam para reduzir o custo de produção", diz.
A Anfavea indica também que o percentual de veículos exportados crescerá de 12% da produção para 15% em 2011.
O Tempo
Da redação do Plox
Cada carro importado é menos emprego e menos Imposto no Brasil
Gostaria de saber qual veículo o coordenador do curso de negócios internacionais da Fumec, Walter Victorino dirige? Será uma Mercedes, uma BMW, um AUDI, um VOLVO, uma LAND ROVER?
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