A comparação de perícias poderá esclarecer quais foram os policiais que atiraram contra o menino Juan de Moraes, de 11 anos, no dia 20 de junho na comunidade do Danon, na Baixada Fluminense. O confronto da perícia sobre o boletim de atendimento médico de Wesley de Moraes, irmão de Juan, e de Wanderson dos Santos de Assis, amigo das vítimas, com os dados obtidos durante a reconstituição do crime mostrará de que local saíram os tiros que atingiram Juan.
Neste novo passo da investigação, o objetivo é analisar o ângulo em que as balas atingiram as vítimas. Isso é feito através da posição de entrada e saída das balas que perfuraram os feridos. A polícia já sabe, através da reconstituição feita no dia 8 de julho, o posicionamento de cada policial durante a ação. O confronto das informações será feito por técnicos da Polícia Civil ainda esta semana.

Os pontos analisados já mostraram que não houve confronto entre os policiais militares envolvidos na ação e traficantes, conforme alegavam os policiais do Batalhão de Mesquita (20º BPM). O delegado Ricardo Barbosa afirmou que os tiros que mataram Juan foram disparados pelos PMs.
- A conclusão que nós temos é de que Juan foi baleado por armas de fogo de policiais militares.
Segundo a polícia, dois PMs dos quatro que participaram da operação atiraram na cena do crime. Os quatro PMs foram indiciados por dois homicídios qualificados (de Juan e de Igor de Souza Afonso, suspeito de ser traficante), duas tentativas de homicídio (de Wesley de Moraes e de Wanderson dos Santos de Assis) e ocultação de cadáver (de Juan).
O delegado Ricardo Barbosa, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, reiterou que a criança morreu em decorrência de um tiro no pescoço, com base em depoimentos de testemunhas, já que o laudo não constatou a causa da morte.
A perícia apontou que, das cinco cápsulas encontradas no local, quatro partiram do fuzil de um cabo da PM. A polícia apreendeu dez fuzis do 20º BPM para checar se a quinta cápsula partiu de uma dessas armas. Os PMS foram presos na noite do dia 21 de julho na unidade prisional da Polícia Militar, em Benfica, zona norte do Rio.
O delegado disse também os depoimentos conflitantes dos PMs motivaram as prisões. Eles disseram que chegaram ao local do crime às 20h. No entanto, análise do GPS da viatura apontou que a equipe esteve na favela às 18h35.
Segundo a polícia, novas testemunhas querem prestar depoimentos, mas temem represálias. Com a prisão dos policiais, o delegado espera que essas pessoas contem o que viram à polícia. Imagens feitas por um celular mostram o local do crime logo após o confronto. As imagens ainda estão sendo analisadas pelo delegado Ricardo Barbosa e serão anexadas ao inquérito. De acordo com o delegado, a filmagem mostra manchas de sangue e cápsulas de munições no chão.
R7
Da redação do Plox
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