Um crime planejado ao longo de quase seis meses e executado com frieza, mas sem sucesso. Foi assim o sequestro de um bebê de 20 dias, na noite de anteontem, no bairro Jardim Vitória, na região Nordeste de Belo Horizonte. A suspeita do crime, Natiele Ipólito dos Santos, 18, foi presa cerca de duas horas após o rapto.
Natiele roubou a criança de uma amiga, de 17 anos, enquanto a adolescente arrumava o cabelo em um salão de beleza. "Ela (Natiele) estava segurando a criança no colo e arrumou uma desculpa para falar ao celular do lado de fora do salão. De repente, desapareceu", contou uma tia da recém-nascida.

Antes de fugir, Natiele foi até a casa da amiga, que estava vazia, e roubou o cartão de vacina e o ultrassom do bebê - um vizinho a viu. Em seguida, ela foi de carona até o centro, onde pegou um ônibus para a cidade de Pedra Maria da Cruz, no Norte de Minas. A viagem foi interrompida na BR-040, em uma barreira da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na altura de Paraopeba, na região Central do Estado.
Sequestro. A mãe do bebê percebeu o desaparecimento da filha dez minutos após Natiele sair do local. A dona de casa Tatiane Alves Nogueira, 25, estava no salão e viu como tudo aconteceu. "A mãe me pediu para ver se a Natiele estava do lado de fora, mas eu não a vi na rua, e ela foi embora", contou. No caminho para casa, a adolescente percebeu que a amiga havia sequestrado o bebê e ligou para a mãe. A família acionou a polícia.
Na casa de Natiele, familiares se disseram surpresos ao saber que a jovem havia sumido com a criança. Mas, segundo a tia do bebê, a suspeita teria dito a um irmão que iria viajar, sem revelar que estava cometendo um crime. "A Natiele disse para ele (irmão) que estava com a filha de uma amiga e que iria ao centro entregar a menina para a mãe e de lá seguiria para Januária, no Norte de Minas, onde mora com o resto da sua família", afirmou.
O jovem foi à rodoviária e conseguiu as características do ônibus que a irmã pegou pouco antes. De posse da informação, a Polícia Militar avisou a PRF, que conseguiu parar o veículo no meio da viagem.
"A Natiele tentou convencer os policiais que a criança era dela, mas eles perceberam que era um sequestro", disse a avó da criança, que pediu que ninguém da família fosse identificado.
Perda de gêmeos pode ter motivado sequestro
Parentes e amigos de Natiele Ipólito dos Santos, 18, suspeitam que um aborto pode ter levado a jovem a sequestrar o bebê da amiga. No quinto mês de gravidez, a suspeita perdeu gêmeos.
"A Natiele não fazia o pré-natal e não tinha cuidado nenhum com a gravidez, tanto que os bebês morreram e ela só foi descobrir o que havia acontecido quase dois meses depois", contou uma amiga da suspeita, que não quis ser identificada.
Segundo uma testemunha, depois de perder os bebês, ela disse, em várias ocasiões, que iria sequestrar uma criança "para poder cuidar". "Ninguém levava isso a sério quando ela falava porque não acreditávamos que ela pudesse fazer uma coisa como essa, ainda mais com a filha da sua própria amiga", contou.
O Tempo
Da redação do Plox
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