quarta-feira, 06/07/2011

Polícia admite erro e diz que corpo encontrado é realmente do menino Juan

Corpo encontrado na baixada é do menino Juan, diz chefe de polícia do Rio

Perícia foi precipitada ao dizer que criança achada era menina, diz chefe

A chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, disse na tarde desta quarta-feira (6) que o corpo do menino Juan Moraes, de 11 anos, foi encontrado na Baixada Fluminense. Inicialmente, a instituição havia informado que o corpo encontrado na beira de um riacho em Belford Roxo, na semana passada, era de uma menina. O diretor do Departamento de Polícia Técnica, delegado Sérgio Henriques, admitiu que a perita foi precipitada ao descartar que o corpo era de um garoto. Segundo ele, o exame de DNA confirmou que o corpo é de Juan.

Sangue do menino foi encontrado no chinelo que ele usava, achado pela perícia no bairro Danon, em Nova Iguaçu, também na baixada, local onde houve a perseguição com a Polícia Militar, ocasião em que o garoto desapareceu. O DNA de ambos foi examinado e a perícia constatou ser do garoto, disse Henriques. Segundo Martha Rocha, a família será comunicada oficialmente sobre a descoberta da perícia.

-Comunico com muito pesar a morte do menino. Gostaria de falar antes com a família, mas como foram incluídos no programa de proteção, receberão a notícia pela Secretaria de Direitos Humanos.

Henriques também descartou dúvidas sobre o DNA de Juan. Segundo ele, foram feitas análises das amostras do DNA de duas maneiras e ambas deram o mesmo resultado.

- Os exames de DNA feitos são 99,99% de eficácia. Além do exame feito no corpo, também comprovamos o mesmo resultado no chinelo. Não há dúvidas que Juan esteja morto.

Segundo a chefe da Polícia Civil, determinou a abertura de dois processos administrativos que vão avaliar a conduta da perita e do delegado-titular da 56ª Delegacia de Polícia (Comendador Soares), em Nova Iguaçu, Claudio Nascimento de Souza. Martha também afastou o delegado da chefia da unidade. Um novo titular ainda não foi anunciado.
R7
Imagem/Divulgação

 

 

Da redação do Plox

Será que a perita errou?

Enviado por Edilson FRANCIONI Coelho (não verificado) em qui, 22/09/2011 - 15:28.

Sou perito criminal do Estado do Rio de Janeiro e estudei as notícias que vêm sendo divulgadas sobre o "caso Juan Moraes". Nem tudo é o que parece ser - ou, melhor, o que tem sido dito ser. Destaco que não conheço a perita legista responsável pelo exame questionado.

Os resultados de exames genéticos (DNA) feitos após a exumação de restos mortais ainda não foram divulgados - ou seja, ainda não se pode ter certeza sobre a identidade dos restos mortais encontrados. Além disso, o próprio Diretor de Polícia Técnica tem afirmado que a perita concluiu "tacitamente o sexo dos restos mortais (ou seja, sem dizer, sem palavras); portanto, segundo ele, a conclusão não teria sido dela, mas de seus superiores hierárquicos.

Mesmo que ela tenha errado, o Diretor de Polícia Técnica tem repetido que ela errou, que ela equivocou-se e que ela precipitou-se. Portanto, não houve intenção de fraudar o exame e sua transgressão disciplinar seria, assim, culposa (sem intenção). O REPCERJ (regulamento da Polícia Civil) só prevê transgressões dolosas (intencionais), então não é licita a instauração de sindicância para apurar o engano de que se acusa a perita, podendo caracterizar improbidade administrativa da Chefe de Polícia e dos delegados da COINPOL (Corregedoria) responsáveis por tal sindicância.

Também, a imprensa divulgou fotos do Diretor de Polícia Técnica segurando chinelo e estojos de munição sem usar luvas, isto é, contaminando material de exame - exatamente como ocorreu alguns anos atrás no famosíssimo "caso O. J. Simpson", nos EUA.

A análise que fiz está detalhada no artigo que escrevi, em:

http://www.perito-francioni.com.br/textos/casojuan.htm

Muitos outros aspectos desse caso, que incluí nesse artigo e analisei em profundidade, nos permitem perguntar: será que a perita errou?


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