quinta-feira, 22/07/2010

Motoristas perdem interesse pelo gás natural veicular

A febre do gás combustível (GNV), que teve o seu auge em meados dos anos 90, quando vários motoristas, principalmente de táxi, correram para colocarem o kit gás em seus carros, ficou no passado. Hoje, frotas que utilizavam o gás natural como combustível, no momento que fazem a renovação dos veículos, têm optado pelo carro flex. Até mesmo postos da região metropolitana de Belo Horizonte que vendiam exclusivamente o GNV passaram também a oferecer o álcool e gasolina como alternativas.

Um exemplo dessa mudança é na Coopertramo, uma das maiores companhias de rádio taxi de Belo Horizonte com uma frota de 170 carros. Segundo informou a empresa, há cerca de dez anos, 80% dos motoristas que trabalhavam com a empresa utilizavam o gás combustível. Agora, não ultrapassam dez os veículos que ainda transitam com GNV.

A entrada do carro bicombustível no mercado e o preço do gás que subiu - entre 1995 e 1998, o preço médio do metro cúbico do GNV era R$ 1 e hoje é R$ 1,50 - são vistos como as principais causas para essa redução. O preço do GNV é praticamente o mesmo do valor do litro do álcool.

Remanescente do carro a gás, o motorista de táxi Geraldo Leal reconhece que mesmo sendo mais barato do que os outros combustíveis, o GNV tem sido pouco usado em veículos novos.

Ele mesmo confessa trabalhar com dois veículos, um Santana 2002 e uma Zafira 2006 a gás e, já em outros dois Doblôs mais novos, optou em deixá-los flex. "Dificilmente as pessoas estão colocando o kit em carros novos. Ninguém acha que compensa", explica o motorista, observando que quando o gás era mais barato, os taxistas que rodam o dia inteiro não pensavam duas vezes em utilizá-lo.

Com essa redução do uso do gás como combustível pelos taxistas, de acordo com Leal, um novo produto tem sido negociado nesse meio e por um preço bem menor: o kit gás de segunda mão. De acordo com Leal, são muitos os taxistas que o estão vendendo por R$ 400 a R$ 600. "Olha que compraram por cerca de R$ 3.000. Se estão vendendo, é porque não querem mesmo e pagar o preço de um novo é pior ainda", acredita o motorista, reforçando que antigamente, para quem andava muito, a economia girava em torno de R$ 400 ou mais por mês, o que pagava o investimento mais rápido. "Hoje, a economia é de no máximo R$ 300", contabiliza ele.

Estável. Conforme explica o gerente comercial da Gasmig, José Goes Junior, a média de veículos que utilizam o GNV continuou estável. Mesmo assim, afirma que a entrada do carro flex no mercado pode ter travado o crescimento no consumo do gás. "Existia uma certa dúvida sobre o álcool, se estaria sempre disponível no mercado. Hoje, se o consumidor não o achar, pode colocar gasolina", observa Goes, reforçando que hoje a Fiat vende o carro tetraflex, com álcool, gasolina, gasolina do Mercosul e gás.

 

O Tempo

 

Da redação do Plox

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