quarta-feira, 08/10/2008

Veja problemas mais comuns

Se o carro é arranhado, de quem é a culpa?

Driblar obstáculos até a vaga é a missão diária enfrentada por Caroline Hauser com seu Clio. O prédio em que a estudante mora no Leblon tem quatro andares de garagem e vagas para todos, já estacionar.....

Os corredores são estreitos e há muitas pilastras que exigem várias manobras, mesmo para um carro pequeno — diz Caroline.

Quem mora em prédios novos pelo menos sabe que todos os apartamentos são obrigados a ter vagas. Já os moradores de edifícios antigos, que nem sempre têm estacionamento para todos os apartamentos, ainda precisam contar com jeitinhos para não deixar os veículos na rua.

O mais comum é adotar o famoso “sempre cabe mais um” e espremer os veículos na garagem. Mas para tirar os carros é preciso apelar para o gentil porteiro, que acaba acumulando a função de manobreiro. E sempre há o risco de, em algum momento, ter de disputar com o vizinho a melhor vaga.

A harmonia, porém, costuma acabar quando acontece algum acidente nas manobras. Quem paga o conserto?

Se o manobrista estiver previsto no estatuto do condomínio, é comum que a responsabilidade por danos também siga as regras do edifício — ensina o advogado Ronaldo Gotlib.

Caso o manobrista não esteja regulamentado no estatuto interno, a situação dá margem para discussão. Tanto o condomínio como o dono do veículo podem ter de arcar com as despesas. Se foi o proprietário quem pediu para o porteiro manobrar, ele passa a ser o responsável.

Da mesma forma, não é fácil resolver problemas com arranhões e furtos que aparecem da noite para o dia. Os prédios com vigilantes na garagem ou monitoramento por câmeras costumam ser responsabilizados por possíveis danos.

Em acidente ou furto, o importante é reunir o maior número de provas

Onde não existe vigilância, o condomínio pode ficar isento de culpa em acidentes e furtos. Isso porque alguns juízes podem considerar que o morador sabia que não havia segurança e aceitou a situação.

Por isso, é importante saber o que está previsto no estatuto do condomínio. Mesmo que a convenção seja desfavorável é possível abrir um processo. Advogados recomendam juntar o máximo de provas (como fotos) e testemunhas. É o caso da produtora Christiane Lastres, que teve o carro arranhado pelo portão da garagem do seu prédio, em Botafogo.

- O portão foi fechado na hora em que eu passava com o carro e o subsíndico diz que o condomínio não tem culpa — conta Christiane.

Com garagem aberta a estranhos, mais complicações

Com o recém-criado novo Código Civil, descobrir as responsabilidades nas garagens pode ficar mais complicado. Passou a ser permitido por lei alugar e vender vagas para pessoas de fora do edifício.

— Com o aluguel de vagas a terceiros, a lei está permitindo a entrada de estranhos nos prédios. Será mais difícil controlar a segurança e os danos nos veículos — afirma o advogado Ronaldo Gotlib.

Não há espaço? Empilhe os carros...

Devido à falta de espaço, alguns prédios têm comprado equipamentos para ampliar o número de vagas. Os mais simples são os pallets , plataformas que correm lateralmente sobre trilhos e podem ser empurradas com as mãos.

É necessário fazer uma força equivalente a mover um objeto de cinco quilos para empurrar um carro de passeio — explica Sérgio Sztyzberg, gerente da Easy Parking, fabricante do equipamento.

Há também os duplicadores, elevadores que põem um carro sobre o outro numa mesma vaga. As garagens, porém, precisam ter pé-direto alto.

Mesmo assim, os veículos grandes são esquecidos. Os equipamentos costumam ser feitos seguindo o tamanho de vaga do município do Rio. Resumindo: quem tem mais de cinco metros fica de fora.

 
 
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