O primeiro contato já revela se tratar de um carro popular e, no caso dele, contraditório: abro a porta com a própria chave, pois não há alarme. A satisfação de ter uma posição de guiar correta logo é azedada pelo reduzido espaço interno, que faz motorista e passageiro se esbarrarem frequentemente. O cheiro lá dentro não é dos melhores, e parece ser condizente com um ambiente nada acolhedor, com bancos estreitos e revestidos por um tecido de quinta e plástico do mais tosco forrando as portas. Antes de sair, tento fechar a porta uma, duas, três vezes. Descubro que ela não tranca porque a maçaneta, depois de ter aberto a porta, não voltou para o lugar. Prazer, Effa M100.
O compacto chegou por aqui em 2008, ostentando o título de carro mais barato do País, à época custando R$ 22.980. Hoje, com preço de R$ 24.980, é mais caro que Mille, Chery QQ e Ka. A lista de itens de série é incomum para a categoria: direção elétrica, ar-condicionado, travas e vidros elétricos, rádio com entrada USB, entre outros.
A fartura de equipamentos, no entanto, não compensa a desagradável experiência que é guiar um Effa M100. O problema não está somente no fraco desempenho do motor 1.0 de 47 cv e 6,8 kgfm de torque – com certa dose de paciência se chega ao destino e, convenhamos, deslocamentos urbanos nem sempre permitem velocidades altas e arrancadas vigorosas. Além do mais, o câmbio tem engates fáceis. O problema reside, sim, no desleixo presente desde a maçaneta com a mola desregulada até o logotipo da empresa, descascado. Não há cobertura do banco do passageiro escondendo sua armação e o acabamento e os materiais usados são pobres. A sensação geral é de um carro frágil, que corre o risco de não chegar inteiro ao destino final.
Essa fragilidade ainda pôde ser notada no banco traseiro, que durante uma arrancada simplesmente se desprendeu e catapultou o passageiro de trás para o porta-malas; e no limpador do para-brisa, acredite, ultrapassou a área do vidro quando foi acionado. E pensar que o modelo foi refeito no ano passado para melhorar os pontos críticos.
Ao menos o Effa M100 – que na verdade chama-se Changhe M100, sendo Effa o nome da empresa que o importa – dá um pouco de alegria ao seu dono no posto de gasolina e na hora de carregar bagagens. Fizemos, em média, 11 km/l, em ciclo predominantemente urbano. Seu porta-malas é espaçoso e tem acesso fácil. Aliás, falando em ciclo urbano, pegar estrada com o M100 não é recomendável, pois o compacto é muito sensível a ventos laterais.
Made in China
O Effa M100, por acaso, é chinês. Mas, embora os chineses ainda careçam de evolução, o M100 não pode ser considerado um representante do que é feito na China. Os modelos lá fabricados, em sua maioria, já estão em outra fase, muito mais avançada. Se um J3 ou um Cielo estão não muito atrás, em termos de qualidade e refinamento, do que é feito por aqui, o M100 está anos-luz dos conterrâneos.
Ig
Da redação do Plox
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