segunda-feira, 01/08/2011

Paixão que supera o tempo

 

 (Felipe Ramelli/ON/D.A Press)

O que pode explicar tamanho sucesso de um modelo que chegou ao Brasil na década de 1950 e até hoje conquista os amantes do mundo automotivo? Seja pelo saudosismo ou pela praticidade da manutenção, o Volkswagen Fusca ainda pode ser encontrado pelas ruas do país sem muita dificuldade. É evidente que há aqueles que não apresentam um bom estado de conservação, mas muitos fanáticos pelo modelo preservam seus besouros como se fossem novos.

Criado para o povo alemão, o design arredondado com os paralamas salientes agradou consumidores de várias partes do mundo, fazendo com que o modelo virasse um sucesso mundial. A prova disso é que muitos desses carros atravessam gerações e tem bastante história para contar. "Acredito que toda pessoa tem uma história que envolve esse carro. Toda criança já deve ter andado no chiqueirinho", brinca o antigomobilista Julian Rodrigo, em referência à pequena área situada atrás dos bancos traseiros do automóvel.

O Volkswagen Sedã - como era chamado até o início da década de 1980 - é um modelo democrático e agrada tanto aos homens quanto às mulheres. A "fusqueira" Rosileide de Oliveira é integrante de uma família cuja história tem o fusca como um dos personagens de destaque. Produzido em 1973, o "laranjinha" foi comprado em 1984 para levar Rosileide e sua filha da maternidade para casa após o nascimento da criança. E a história se repetiu mais de 20 anos depois com o nascimento da neta Maria Gabrielle, que se diverte com os passeios feitos no laranjinha. "Já tivemos outros fuscas, mas consideramos este como um troféu da família por causa de toda a história que ele tem com cada um de nós", comenta Rosileide. Além da cor, o carro chama atenção pelo excelente estado de conservação mesmo após seus 38 anos de estrada.

Rosileide de Oliveira preserva um Fusca, produzido em 1973, que atravessa gerações na família (Felipe Ramelli/ON/D.A Press)

Rosileide de Oliveira preserva um Fusca, produzido em 1973, que atravessa gerações na família

Por dentro, os bancos na cor laranja harmonizam com a cor da lataria. Para deixar o carro com cara de novo, Rosileide conta que a dedicação de toda a família é fundamental quando o assunto é a manutenção e limpeza. "Não usamos mais como o carro do dia-a-dia. Temos bastante cuidado com ele para preservá-lo como uma espécie de relíquia", ressalta.

Interior do Fusca de Rosileide faz jus ao apelido de


Interior do Fusca de Rosileide faz jus ao apelido de "laranjinha"

Clube do Fusca da Paraíba

Para reunir os amantes do besouro nada melhor do que criar um clube. Foi com este objetivo que em 2005 foi fundado o Clube do Fusca da Paraíba (CFP), cujos integrantes organizam reuniões duas vezes por mês na sede, localizada no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. Entre os participantes, o sentimento em comum é de saudosismo e preservação da memória de outras épocas. "A paixão pelo fusca vem do saudosismo e por isso é que tentamos resgatar a cultura. É muito legal viajar e confraternizar com outros fusqueiros", afirma Wagner Xavier, presidente do CFP.

Assim como os amantes do tuning equipam seus carros com acessórios que incrementam a aparência, os fusqueiros também gostam de personalizar seus bólidos. A diferença está na conservação da originalidade do automóvel. "Buscamos o máximo de originalidade através de uma customização que retrata uma época. Para isso, equipamos os carros com alguns acessórios antigos, como toca-fitas originais, rodas alargadas e rádio amador, que era um luxo na época", observa Wagner.

A prática ganha adeptos principalmente no Nordeste e é chamada pelos fusqueiros de Velha Escola Brasil (VEB). "É um conceito que busca uma customização nacional, sem copiar receitas gringas. Procuramos em ferros velhos e na internet peças antigas que as pessoas não dão muito valor e colocamos nos fuscas", explica Julian Rodrigo, integrante do CFP.

Vrum

 

Da redação do Plox

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