quarta-feira, 03/08/2011

Preço como grande atrativo

O recente lançamento da versão equipada com câmbio automático do Renault Sandero não consiste, totalmente, em uma novidade, levando em conta o fato de a adoção desse sistema de transmissão para automóveis compactos. Mas há significativas diferenças entre os similares que estão "na praça" há mais tempo. Ainda que pese o fato de os modelos em oferta no mercado brasileiro serem todos de origem francesa.

A mãe dessa novidade foi a Citroën, que, ao oferecer o câmbio que dispensa troca de marchas com o pedal de embreagem no C3, ganhou a alcunha de pioneira. Depois a vez foi de outra francesa, a Peugeot, que facilitou a vida de quem dirige a versão com o sistema automático no hatch 207. Mas o ineditismo não provocou reação que se traduzisse em um expressivo crescimento das vendas desses dois modelos. Não é, certamente, o que deseja a Renault, outra francesa que agora inicia na gama do Sandero, uma versão dotada de câmbio automático. E o primeiro sinal de que o tiro será certeiro é preço atrativo.

Custo. A novidade está disponível na versão de topo de linha do Sandero (Privilège) com preço sugerido de R$ 43.900. O motor é o 1.6 16V flex, de 112 cv. Para efeito de comparação, o mesmo Privilège com caixa manual, que tem como usina de força o propulsor 1.6 8V, 95 cv, custa R$ 40.400.

A pergunta é: vale a pena gastar R$ 3.500, diferença de um para outro com mesmo nível de equipamentos, para levar para garagem o modelo automático e com 17 cv a mais? Se for conforto a primeira opção do consumidor, a resposta é sim. Não ter que trocar marchas o tempo todo, em meio ao cada vez mais caótico trânsito das grandes metrópoles, vale o investimento.

Adaptação

A caixa automática é de quatro marchas, que dá conta do recado, mas exige certa e fácil adaptação em situações pontuais, como numa subida íngreme ou nas ultrapassagens que exijam agilidade maior do que a normal. Nesses casos, o condutor deve selecionar a marcha mais forte e proceder a manobra.

Falha

Um ponto negativo é o fato da ausência de iluminação no trilho da alavanca do câmbio automático. A marcha selecionada aparece no display digital, no centro do painel.

Segundo a Renault, a caixa de marchas automática vem com nove programas para se adaptar ao estilo de condução do motorista. As marchas podem ser trocadas manualmente com toques na alavanca, o seletor conta com as opções D, N, R e P.

Aliás, não há mesmo comparação entre o sistema da Renault e o utilizado pela Fiat e Volkswagen, com seus polêmicos câmbios automatizados, que em comum com ao "original" conta, apenas, com o fato de não requerer a troca manual de marchas. No mais, é um tranco só e de adaptação bem complexa ao melhor (ou menos ruim) modo de condução.

Quanto às queixas de desempenho em baixas rotações, não se pode exigir do Sandero, com motor 1.6, de 112 cv de potência e câmbio automático, uma performance ágil como a de um modelo com um propulsor mais forte e com potência maior. O nível de ruído é percebido quando a exigência do motor é maior, mas nada que desabone a nova versão do hatch francês.

No Sandero automático, tudo tem na relação custo-benefício a melhor explicação. Ao fim das contas, o conjunto da obra está aprovado. O Sandero, que herda a plataforma do bem resolvido Logan, esbanja espaço interno e todos os ocupantes viajem com folga e sobra espaço para as bagagens em seu ótimo porta-malas de 320 l de capacidade.

Equipamentos. Uma boa lista de equipamentos de série completa a explicação. De série há ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, rádio com entradas auxiliar e USB, além de rodas de liga leve e airbags, entre outros itens. Entre os itens opcionais, destaques para os freios ABS e o volante revestido de couro. E falando nele, a coluna de direção, embora seja regulável, tem ajuste apenas na altura, e não em profundidade.

Em síntese, a escolha pelo Renault Sandero, com câmbio automático, é justificada pela opção dos que gostam de dirigir sem se preocupar em passar marchas. Podem dar folga ao pé esquerdo sem gastar muito em modelos de segmento superior e contar com um autêntico sistema de trocas de marchas automático. Nada comparável aos clones (automatizados), que ainda não convenceram o mercado de sua razão de existir. A nova roupagem para 2012 foi apresentada poucos dias antes do lançamento da versão com o câmbio automático. E visualmente, apesar de serem até certo ponto bem discretas, caíram bem ao francesinho.

Visual

Olhando de frente logo se percebe a adição de uma nova grade frontal, agora integrada ao capô e um para-choque redesenhado. Juntos, esses dois elementos deixaram o hatch com um ar mais moderno e um "rosto" mais próximo de outra recente novidade da Renault, o sedã médio Fluence. Na traseira, as mudanças se resumem as novas lanternas e ao nome Sandero centralizado na tampa do porta-malas, logo abaixo do logotipo da marca – no modelo anterior o emblema ficava do lado direito.

O Tempo

 

Da redação do Plox

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