terça-feira, 09/08/2011

Sem inovar, Sentra aposta no custo-benefício

A pintura deste modelo é branco perolizado

“Não tem cara de tiozão” era o slogan da geração atual do Sentra quando foi lançado no Brasil, em 2007. Com mais de quatro anos e meio de mercado, o modelo da Nissan já não é mais a menina dos olhos do segmento, que envelhece com voracidade os produtos com novas tendências e recursos inovadores. Talvez hoje o sedã médio da marca japonesa já seja pelo menos um “tiozinho” com certas rugas. Mas seu desempenho e qualidade aliados aos preços mais baixos se comparados aos da concorrência fazem deste carro uma opção a ser considerada.

A versão 2.0 S CVT, avaliada pelo iG Carros, é o Sentra intermediário e custa R$ 64.290. Por esse valor já vem equipado do México, onde é fabricado, com ABS, airbags para motorista e pessageiro, rádio com entradas auxiliares, faróis de neblina, cruise control, rodas de alumínio de 16”, ar-condicionado digital e o i-Key, sistema que dispensa a chave para abrir e ligar o carro. É um belo pacote e um preço que assusta as montadoras rivais, pois na ponta do lápis o Nissan se dá bem. Veja só.

O sedã mede 4,56 m de comprimento

As versões de entrada do Corolla e Civic com transmissão automática custam salgados R$ 69.082 e R$ 67.340, respectivamente, e o melhor argumento dos vendedores da marca para seus clientes em relação aos concorrentes é “eles não trazem de série os mesmos equipamentos do Sentra”. É por mérito deste detalhe que as lojas da Nissan conseguem emplacar em média 800 carros por mês, o que vem garantindo ao modelo a 6ª colocação no ramo em 2011.

Impressões ao volante

Em tempos de suspensão independente na traseira, até que o Sentra se vira bem com a tradicional disposição de eixo de torção. É confortável sem comprometer a estabilidade. O motor 2.0 16V flex rende bons 143 cv (mais que Corolla e Civic) e 20,3 kgfm de torque, sendo 80% desta força disponível abaixo de 2.400 rpm, o que ajuda a consumir menos combustível, em especial na cidade.

A transmissão deste Sentra é do tipo CVT, com relações infinitas. É ótimo na cidade, pois deixa o carro silencioso e por não ter trocas de marcha elimina a chance de trancos. No entanto, trata-se ainda de um câmbio desta “espécie” na primeira geração. Versões mais modernas já contam com “marchas” fixas (inclusive o primo Fluence, da Renault, que adotou sua mecânica), o que é de grande valia, por exemplo, em uma serra ou na hora de fazer uma ultrapassagem ou até encarar vias íngremes.

Em vez disso, o câmbio do Sentra tem apenas os modos L (Low, como se fosse uma primeira marcha), o S (Sport, que simula uma marcha intermediária) e o botão de over-drive, que faz a função de uma terceira marcha.

O Sentra é um dos sedãs mais ousados do ramo

O modelo também tende a “cantar” alto na estrada, como todo carro CVT, devido ao modo como o câmbio opera, e seu consumo de combustível não é dos melhores, ainda mais quando bebe etanol. Andando na “casquinha”, a Nissan diz que o Sentra pode percorrer 8,1 km na cidade e 11,8 km/l na estrada. Com gasolina esses números sobem para 12,2 km/l e 17,7 km/l, com o pé leve.

A tocada do Sentra, que na versão manual é até instigante, perde toda graça na versão CVT, que nasceu para ser confortável. Ainda assim é possível arrancar alguns suspiros com o carro. A Nissan diz que ele vai do 0 aos 100 km/h em 10,3 segundos e atinge 190 km/h. Está bom.

Vida a bordo

O Sentra tem um interior tão interessante quanto o dos sedãs líderes do mercado. Se destaca pelo bom acabamento e desenho do painel, além de espaço suficiente para até cinco adultos. No entanto, a versão S ainda não vem com bancos revestidos de couro, item disponível apenas na série SL. Uma pena. A versão de veludo é mais difícil de limpar e com o tempo desbota.

O painel de instrumentos tem desenho tem um até sofisticado

Mas o conforto varia com o tipo de uso do carro. Na cidade é mudo, em poucos momentos se ouve o motor, dependendo do trânsito. Rodando na estrada a 120 km/l, o barulho pode incomodar. Corolla e Civic, por exemplo, nesse ponto levam vantagem por terem isolamento acústico mais apurado. Coisas de Toyota e Honda...

No quesito porta-malas, o Sentra não é exatamente um carro de carga, mas dá conta do recado de uma família ao poder levar até 442 litros. O compartimento ainda dispõe de uma tampa interna, que forma uma repartição para armazenar objetos menores. Se for preciso, essa peça pode ser retirada, deixando o bagageiro livre.

Na ponta do lápis

Direcionado a consumidores de classe média alta para cima, o Sentra é um produto indicado para quem leva ao pé da letra as benesses do custo-benefício. Pode não valer a pena em determinado ponto (consumo de combustível, poucos recursos novos), mas compensa plenamente em outro (equipamentos, desempenho e preço). No final das contas, quem se preocupa com isso acaba levando o modelo da Nissan, uma marca que já está bem estruturada no Brasil em termos de pós-venda, algo que também ajuda a vender mais carros. Mas a cara de tiozão se aproxima.

 IG

Da redação do Plox

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