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"Atendia 80 clientes e agora só tenho 5", afirma gerente de churrascaria após escândalo

Estabelecimentos temem queda de movimento após operação da PF de sexta-feira.

[ad]O impacto das revelações da Operação Carne Fraca já começa a ser sentido nos estabelecimentos que lidam diretamente com o produto: as churrascarias. Embora muitos dos responsáveis por elas evitem fornecer dados concretos, os administradores admitem que parte dos clientes já evitam comer carne num primeiro momento após a operação da Polícia Federal.

A reportagem entrou em contato com 18 churrascarias em São Paulo neste sábado (18) para falar sobre a repercussão do escândalo.

O gerente-geral Claudinei do Santos, da Churrascaria Boi 100, no bairro Casa Verde, em São Paulo, explicou que o movimento caiu drasticamente nesse sábado.

— Nesse horário costumo atender uns 80 clientes, mas no momento só tenho cinco. Foi um pé no s***.

Embora ressalte que sempre tenha selecionado os melhores fornecedores, Santos teme os próximos dias para o negócio.

— Vai demorar pelo menos uns 40 dias para se recuperar dessa situação.

Outras churrascarias sentiram muito menos repercussão com relação a operação federal, mas também têm dúvidas quanto ao fluxo de clientes nos próximos dias.

— O movimento está fraco, mas ninguém cancelou reserva ou fez qualquer comentário a respeito da carne. Não posso falar em números, mas está bem mais vazio que o normal para o horário [por volta das 13h] — afirmou a recepcionista da Churrascaria Asalola, que se identificou apenas como Cassia.

Já Antônio Santos, gerente da Prazeres do Sul, na República, em São Paulo, afirmou que a casa ainda não registrou diminuição no número de clientes, mas existe sim o medo com relação aos próximos dias.

— Ainda não vimos diferença hoje, mas tememos que ocorra, claro, uma vez que essas coisas se espalham rapidamente. No nosso estabelecimento, sempre tivemos muito cuidado com a carne que nos é fornecida

Segundo Antônio, há uma preocupação especial com os embutidos, evitados ao máximo no local.

— Particularmente, sempre evitei embutidos [linguiças e salsichas] até em casa, e trago a mesma recomendação aqui na churrascaria. Por isso sempre escolhemos os melhores fornecedores.

Já outras churrascarias não comentaram muito o assunto, e apenas afirmaram que até o momento não perceberam qualquer diferença no movimento e vão continuar trabalhando com os mesmos padrões de carnes.

— Ainda não sentimos qualquer efeito, a casa está lotada, tem gente na fila e mesas com mais de dez pessoas. Em nenhum momento algum cliente nos interrogou sobre isso — afirmou o administrador da Churrascaria Dona Leopoldina Luís Franzen, na Vila Leopoldina.

Segundo Luís, ele ficou sabendo do escândalo "vendo rapidamente nos jornais" e não espera problemas nos negócios nos próximos dias.

De uma forma geral, muitas churrascarias evitaram falar sobre o problema, afirmando que apenas fariam ajustes nos fornecedores, se necessário. Nenhum dos gerentes das churrascarias afirmou comprar carne das empresas envolvidas no escândalo.

É o caso de Alberto Jr., da Churrascaria Taberna Gaúcha, que diz "ter o maior cuidado possível na escolha dos fornecedores".

— Buscamos fornecedores que criam as vacas, evitando grandes empresas, além de conferirmos sempre a validade. Cremos que a confiança dos nossos clientes no estabelecimento vai evitar problemas futuros.

Fonte: http://noticias.r7.com/brasil/atendia-80-clientes-e-agora-so-tenho-5-afirma-gerente-de-churrascaria-apos-escandalo-da-carne-18032017

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