Aena vence leilão do Galeão com lance de R$ 2,9 bilhões e vai operar aeroporto até 2039
Empresa espanhola superou Zurich Airport e a atual concessionária RIOgaleão em certame realizado na B3, em São Paulo, com ágio de 210,88% sobre o valor mínimo de outorga
01/04/2026 às 11:57por Redação Plox
01/04/2026 às 11:57
— por Redação Plox
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A empresa espanhola Aena venceu nesta segunda-feira (30) o leilão de venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, e ficará responsável pela operação do terminal até 2039.
O certame, realizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, começou às 15h na sede da B3, em São Paulo. Além da Aena, disputaram a concessão o Zurich Airport e a atual concessionária RIOgaleão.
O valor mínimo de outorga — pago ao governo pelo direito de explorar o Galeão — foi fixado em R$ 932,8 milhões. O lance final da Aena, de R$ 2,9 bilhões, representou um ágio de 210,88%, após uma disputa acirrada.
Empresa espanhola passa a operar o aeroporto em um modelo que substitui o contrato anterior por outro mais flexível, garantindo a continuidade das operações.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Aena amplia presença e chega a 18 aeroportos no Brasil
Com o Galeão, a Aena amplia sua atuação para 18 aeroportos no Brasil, tornando-se a maior concessionária aeroportuária do país em número de terminais. Entre os aeroportos sob sua operação estão Congonhas, na capital paulista, além dos terminais de Recife (PE) e Maceió (AL).
O que muda com a venda assistida
A Aena deverá assumir a operação do Galeão, atualmente sob a concessão da RIOgaleão — formada pela Vinci Compass e pela Changi Airports — que detém 51% das ações. A Infraero controla os outros 49%.
Com a venda assistida, RIOgaleão e Infraero deixam o negócio, permitindo que a nova operadora assuma integralmente a concessão.
Diferentemente de uma concessão tradicional, que parte de um projeto novo, a venda assistida envolve a relicitação de um contrato já existente, renegociado para viabilizar a troca de operador — como no caso do Galeão. O contrato prevê que a Aena poderá explorar, manter e ampliar a infraestrutura do aeroporto, além de assumir direitos e obrigações previstos no novo acordo.
A venda assistida do Galeão foi definida em acordo entre o governo, a RIOgaleão e o Tribunal de Contas da União (TCU). O contrato passou por mudanças em relação ao formato original de 2013, em uma tentativa de tornar o negócio mais atrativo para novos operadores.
Principais mudanças no novo contrato
Entre os ajustes previstos na nova concessão estão a substituição de uma contribuição fixa por um pagamento variável de 20% sobre o faturamento até 2039, repassado à União como taxa de concessão, e o fim da obrigação de construir uma terceira pista.
O novo formato também prevê a saída da Infraero da sociedade e a criação de um mecanismo de compensação relacionado ao Aeroporto Santos Dumont (SDU), um dos principais concorrentes do Galeão. Se o governo alterar as restrições de operação do SDU, o novo controlador do Galeão poderá solicitar compensação.
Declarações após o leilão
Também reforçamos nossa presença e atuação junto a parceiros institucionais locais. Com isso, passamos a movimentar cerca de 62 milhões de passageiros no Brasil
Emilio Rotondo, diretor-geral da Aena Internacional
Por meio da cooperação, estamos tendo um resultado muito positivo para a história do Brasil e, sobretudo, para a aviação do país
Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos
Números do Galeão e retomada da demanda
O leilão ocorreu após um período de reestruturação do aeroporto, que enfrentou queda na demanda depois dos grandes investimentos realizados para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 — cenário agravado pela pandemia de Covid-19.
Apesar de o volume de passageiros ainda estar abaixo da capacidade do terminal, de 37 milhões por ano, o número de viajantes vem crescendo, segundo a RIOgaleão.
Em 2025, 17,9 milhões de pessoas passaram pelo Galeão, alta de 23,4% em relação ao ano anterior, quando foram 14,5 milhões — uma média de 49 mil passageiros por dia.
Além disso, o aeroporto registra cerca de 340 voos domésticos e 110 voos internacionais por dia, entre pousos e decolagens.