Cesta de Páscoa fica 5,73% mais barata, mas chocolates sobem 16,71%, aponta Ibre/FGV
Mesmo com deflação no conjunto de produtos, itens como bombons, bacalhau e sardinha avançaram acima do IPC-10 no período de abril de 2025 a março de 2026
01/04/2026 às 17:31por Redação Plox
01/04/2026 às 17:31
— por Redação Plox
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A mesa de Páscoa deve pesar menos no bolso do brasileiro pelo segundo ano consecutivo. Uma cesta de produtos alimentícios que reúne itens tradicionais do período — como chocolates e bacalhau — vai custar 5,73% menos do que há 12 meses, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado às vésperas do domingo de Páscoa (5).
Em 2025, a queda havia sido de 6,77%. No mesmo intervalo analisado pela FGV — de abril de 2025 a março de 2026 — a inflação geral do consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10), ficou em 3,18%.
Levantamento realizado pelo IBRE mostra que a mesa de Páscoa deve pesar menos no bolso do brasileiro pelo segundo ano consecutivo.
Foto: Reprodução / Imprensa Rio Claro - SP
Chocolates sobem bem acima da inflação geral
Apesar do recuo no custo total da cesta, alguns itens tiveram alta superior à inflação geral. Os bombons e chocolates lideraram a pressão, com aumento de 16,71%.
Outros produtos também avançaram acima do índice geral no período, como bacalhau (9,9%), sardinha em conserva (8,84%) e atum (6,41%). Já os pescados frescos tiveram alta de 1,74%, enquanto os vinhos subiram 0,73%.
Arroz, ovos e azeite puxam queda da cesta
Entre os itens que ajudaram a inflação de Páscoa a ficar negativa, o levantamento aponta quedas expressivas em produtos de consumo frequente. O arroz recuou 26,11%, os ovos de galinha caíram 14,56% e o azeite teve redução de 23,20%.
Quatro anos alternam altas e quedas
Nas últimas quatro Páscoas, o comportamento dos preços alternou entre alta e deflação, sempre na comparação com o ano anterior. Em 2026, a cesta registra queda de 5,73%, após recuo de 6,77% em 2025. Antes disso, houve aumentos em 2024 (16,73%) e 2023 (13,16%).
Acumulado de quatro anos fica abaixo da inflação geral
De acordo com o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a variação acumulada dos preços de Páscoa nos últimos quatro anos foi de 15,37%. O resultado ficou abaixo da inflação geral ao consumidor medida pelo IPC-10, que marcou 16,53% entre abril de 2022 e março de 2026.
No mesmo período, bombons e chocolates ficaram 49,26% mais caros. O bacalhau subiu 31,21%, o atum avançou 38,98% e o azeite teve alta de 34,74%. Na direção contrária, a batata inglesa recuou 16,02% e a cebola caiu 15,44%.
Por que a queda do cacau não chega ao consumidor
Matheus Dias destaca que repassar ao consumidor as quedas associadas a melhoras na produção agrícola é mais difícil no caso de produtos industrializados, que tendem a ter defasagens mais longas. Ele cita o chocolate como exemplo: mesmo com o cacau registrando baixas no mercado internacional desde outubro de 2025 e acumulando recuo de cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses, os preços ao consumidor continuaram em alta.
Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos
Matheus Dias, do Ibre/FGV
Estudo aponta concentração no mercado de chocolates
Na terça-feira (31), ao divulgar um estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, o economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontou a concentração do mercado como um fator associado a altas mais consistentes de preços, por reduzir a concorrência entre empresas.
Segundo o levantamento citado por ele, cinco marcas de bombons e chocolates, pertencentes a três empresas, concentram 83% do mercado.
Indústria cita custos além do cacau
Procurada para comentar os preços dos chocolates, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) afirmou que o valor final não depende apenas do cacau e que outros fatores entram na conta, como leite, açúcar, frete — com uso de caminhões frigoríficos, por se tratar de carga perecível — e a variação do dólar.
A entidade também informou que cada empresa adota sua própria política de preços e que o setor acompanha as oscilações do mercado, oferecendo alternativas de venda de produtos “para todos os paladares e adaptadas às várias faixas de consumo”.
Segundo a Abicab, neste ano foram colocados 800 itens no mercado, com 134 lançamentos, ante 611 itens no ano passado.
El Niño, déficit global e disparada na Bolsa de Nova York
Os representantes da indústria lembram que, em 2024, o fenômeno El Niño devastou plantações e atingiu Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60% da produção mundial de cacau. De acordo com a Abicab, o mercado ficou com déficit de 700 mil toneladas.
A associação relata que a falta do produto levou o preço da tonelada negociada na Bolsa de Nova York a subir quatro vezes, chegando a US$ 11 mil — equivalente a cerca de R$ 56,7 mil. Ainda segundo a Abicab, apenas 10% desse impacto teria se refletido no preço final. Atualmente, a cotação do cacau “beira” US$ 3,3 mil.
Empregos temporários e intenção de compra
A indústria de chocolates afirma que a expectativa para a Páscoa é positiva e associa o cenário à estabilidade econômica e à menor taxa histórica de desemprego. A Abicab estima 14,6 mil empregos temporários, 50% a mais do que em 2025, e ressalta que as contratações costumam começar em agosto do ano anterior.
De acordo com a associação, 20% desses postos temporários acabam se tornando fixos, com carteira assinada. Já uma pesquisa do Instituto Locomotiva indica que 90% dos consumidores pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa neste ano.