Abeso lança diretriz inédita e atualiza e inclui o uso de canetas no tratamento da obesidade

Documento publicado em 31/3 reúne 32 recomendações, inclui terapias como análogos de GLP-1 e define critérios mais claros para a farmacoterapia, sem substituir mudanças no estilo de vida.

01/04/2026 às 10:36 por Redação Plox

O tratamento da obesidade no Brasil passa por uma atualização importante. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou na terça-feira (31/3) a Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, um documento inédito e específico para orientar a prescrição de medicamentos no cuidado da doença. A publicação reúne 32 recomendações e busca apoiar a prática clínica diante de um cenário terapêutico mais amplo. Considerada crônica, a obesidade afeta mais de 41 milhões de adultos no país.


Abeso lança diretriz inédita e atualiza e inclui o uso de canetas no tratamento da obesidade

Abeso lança diretriz inédita e atualiza e inclui o uso de canetas no tratamento da obesidade

Foto: Freepik


Elaborada por um grupo multidisciplinar com endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, a nova diretriz organiza as recomendações por classes de medicamentos e níveis de evidência. Segundo a Abeso, a proposta é dar mais clareza sobre o respaldo científico por trás de cada conduta no atendimento.

Quando os medicamentos são indicados

De acordo com o documento, a indicação principal do tratamento farmacológico é para pessoas com índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando há complicações relacionadas à adiposidade, como doenças associadas.

A diretriz também admite avaliação em situações específicas mesmo fora do critério de IMC, quando há aumento da circunferência da cintura e/ou da relação cintura-altura associado a complicações.

Abeso defende conduta individualizada e mais segurança no cuidado

O presidente da Abeso, Fábio Trujilho, afirmou que, nos últimos anos, o debate sobre obesidade se tornou mais complexo, com ampliação das opções terapêuticas e necessidade de decisões cada vez mais individualizadas.

Nos últimos anos, o debate sobre obesidade se tornou mais complexo, com ampliação do cenário terapêutico e necessidade de decisões cada vez mais individualizadas.

Fábio Trujilho

Para ele, a diretriz busca transformar o avanço científico em orientação prática, oferecendo mais subsídios para a conduta clínica e mais segurança no cuidado aos pacientes.

Medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida

Entre os pontos centrais, a entidade reforça que os medicamentos não devem ser usados de forma isolada. A orientação é que a farmacoterapia seja combinada a mudanças no estilo de vida, com aconselhamento nutricional e estímulo à prática de atividade física.

Diretriz amplia olhar para outras condições associadas

O documento também vai além da perda de peso isolada e traz direcionamentos para cenários comuns no consultório, como risco cardiovascular, pré-diabetes, apneia do sono e doença hepática gordurosa, conforme destacou Fernando Gerchman, um dos coordenadores da diretriz.

Novas terapias entram no radar, com alertas sobre uso indevido

Outro destaque é a incorporação de terapias mais recentes, como os análogos de GLP-1 — popularmente conhecidos como “canetas”. Além disso, o documento inclui orientações para a escolha de medicamentos conforme eficácia, segurança e o contexto de cada paciente.

O texto também faz alertas sobre cautela no uso, com recomendações contra substâncias sem evidências robustas e contra o uso indiscriminado de fórmulas manipuladas com combinações sem respaldo adequado.

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