Internações por gripe sobem 153% no início de 2026 e vacinação contra influenza é antecipada
Dados do Sivep-Gripe apontam alta entre janeiro e março; Drauzio Varella cita desinformação e baixa percepção de risco como entraves para ampliar a imunização
01/04/2026 às 17:19por Redação Plox
01/04/2026 às 17:19
— por Redação Plox
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A gripe chegou mais cedo do que o habitual em 2026. Dados do Sivep-Gripe indicam que as internações pela doença aumentaram 153% entre janeiro e março no Brasil, em comparação com o mesmo período do ano passado. Diante do avanço, a campanha de vacinação contra o vírus influenza começou ainda em março, no dia 28.
O maior desafio, no entanto, é fazer a imunização avançar em meio a uma crise de popularidade. Nos últimos anos, a adesão à vacina contra a gripe não passou de 50% do público-alvo, embora a meta seja 90%.
Dr. Drauzio Varella em evento sobre vacinação em São Paulo.
Foto: Divulgação / Redes Sociais
Percepção de risco e desinformação dificultam a vacinação
Em evento promovido pela farmacêutica Sanofi em São Paulo, o médico Drauzio Varella chamou atenção para a dificuldade de comunicação sobre o que é a doença.
O principal problema é fazer as pessoas entenderem o que é a gripe. Não é um resfriado, é uma doença que causa inflamação nos pulmões e dor muscular intensa, que impede a realização de atividades diárias.
Drauzio Varella
A confusão, segundo o contexto apresentado no evento, ocorre porque, além do influenza, há mais de 200 vírus capazes de provocar infecções com sintomas respiratórios em geral mais leves. Com isso, muitas pessoas dizem que “griparam” quando, na prática, o quadro pode não ser gripe. A doença, por sua vez, é descrita como mais sistêmica e com potencial de complicações graves.
Varella também apontou a desinformação como barreira adicional, ao lado da baixa percepção de risco. Ele citou ainda a atuação de grupos que disseminam notícias falsas e lançam dúvidas sobre vacinas.
Depois dos 60, vacina passa a ser peça-chave para envelhecer com saúde
O encontro teve como foco estimular a vacinação contra a gripe em pessoas com mais de 60 anos. Em entrevista à VEJA SAÚDE, Varella afirmou que ainda não está claro para muita gente que doses de vacina são necessárias para uma longevidade saudável. Ele destacou que há a percepção de que imunização é algo relevante apenas na infância, quando, na avaliação dele, as vacinas também são fundamentais no envelhecimento.
Com o avanço da idade, o sistema imune tende a ficar mais frágil e, por isso, mais suscetível a versões graves de infecções preveníveis, como a gripe. O texto ressalta que ser acometido pelo influenza aumenta em 10 vezes o risco de idosos terem um infarto e em mais de 8 vezes o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
Outra preocupação mencionada é a pneumonia bacteriana, descrita como a complicação mais frequente associada aos vírus respiratórios. A infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas, também presente no evento, destacou a gravidade do cenário ao relacionar hospitalizações e mortalidade entre idosos.
Vacinas protegem contra três variantes do vírus em circulação no país.
Foto: Divulgação / Ministério da Saúde
Vacina de alta dose chega ao Brasil e mira proteção extra
Já está disponível no Brasil a vacina de alta dose contra o influenza, da Sanofi. Segundo o texto, ela custa cerca de 250 reais, é mais cara do que a versão tradicional e está disponível apenas na rede particular. A proposta é oferecer proteção adicional para idosos, como alternativa para quem pode arcar com o investimento.
A formulação traz uma carga quatro vezes maior do vírus inativado, que não causa a doença. A eficácia foi descrita a partir de um estudo com mais de 460 mil pessoas, publicado no periódico The Lancet em outubro de 2025, que utilizou duas outras pesquisas para comparar o imunizante de alta dosagem com a dose padrão.
De acordo com os dados apresentados, a versão de alta dose resultou em 30% a mais de redução nas hospitalizações. Ela é indicada para pessoas acima dos 60 anos, especialmente para quem já passou dos 80, faixa etária apontada como de risco ainda maior para complicações.