Mortes por PMs em serviço em SP sobem 35,5% no primeiro bimestre, aponta MP

Dados do monitoramento do Ministério Público indicam alta de 76 para 103 vítimas; advogado vê escalada da violência policial e retrocesso no controle da letalidade

01/04/2026 às 16:18 por Redação Plox

O número de pessoas mortas por policiais militares em serviço no estado de São Paulo aumentou 35,5% no primeiro bimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. O total passou de 76 para 103 vítimas.

Os dados estão reunidos no  relatório dinâmico divulgado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).


Dados divulgados pelo Ministério Público de São Paulo, mostra crescimento de 35,5% no número de pessoas mortas por policiais militares em serviço nos primeiros meses de 2026.

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil


Dados são compilados pelo Ministério Público

As informações fazem parte do monitoramento de mortes em decorrência de intervenção policial (MDIP), divulgado pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), ligado ao MPSP.

Segundo o texto, os registros são repassados diretamente pelas polícias Civil e Militar à promotoria, conforme determinações legais e uma resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).

Advogado aponta impacto da letalidade policial

Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos

Advogado Ariel de Castro Alves

Ariel de Castro Alves é presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP.

Queda de 2019 a 2022 e alta a partir de 2023

De acordo com os dados do Ministério Público citados na matéria, o número de mortes cometidas por policiais militares em serviço caiu no governo anterior, de 2019 a 2022. Os registros passaram de 720 para 262 no período, uma redução de 63,6%.

No entanto, desde 2023, quando Tarcísio de Freitas assumiu o cargo de governador do estado, a letalidade policial passou a aumentar ano a ano. Em 2023, foram 357 pessoas mortas por policiais militares em serviço — 95 a mais do que no ano anterior.

Em 2024, houve um salto para 653 registros, alta de 83% em relação a 2023. No ano seguinte, novo acréscimo levou o total a 703 mortos.

Para o advogado, os números indicam uma escalada da violência policial, com retrocesso no controle e na redução da letalidade em comparação com os governos anteriores. Ele também classificou o cenário como um enorme retrocesso na garantia dos direitos humanos no estado.


desde 2023, quando Tarcísio de Freitas assumiu o cargo de governador do estado, a letalidade policial passou a aumentar ano a ano.

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil


Câmeras corporais e órgãos de controle entram no debate

Ariel afirmou que, ao longo da gestão, o governador e o então secretário Guilherme Derrite teriam combatido o uso de câmeras corporais, além de, segundo ele, omitir-se ou desdenhar de denúncias e casos de violência policial e atacar órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia.

Na avaliação do advogado, esse conjunto de fatores ajudaria a explicar a alta na letalidade policial no estado.

Violência atinge jovens pobres e negros, diz advogado

O advogado destacou que a violência policial atinge principalmente jovens pobres e negros de bairros periféricos. Ele também afirmou que a mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro e que isso acaba gerando quadrilhas, milícias e grupos de extermínio.

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