Pleno.News lista 10 declarações atribuídas a Lula e aponta supostas contradições com dados e checagens

Levantamento publicado em 1º de abril reúne falas do presidente que, segundo o site, seriam falsas, distorcidas ou conflitantes com registros oficiais e históricos

01/04/2026 às 10:20 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumulou, nos últimos anos, declarações que não resistem à checagem de fatos e a dados oficiais. Entre falas sobre invasões de prédios públicos, números da economia, episódios do Enem e comparações históricas envolvendo o Acre, o petista repetiu informações consideradas falsas, distorcidas ou contraditórias.

Neste 1º de abril, data conhecida como Dia da Mentira, o Pleno.News reuniu dez declarações atribuídas a Lula que, segundo o veículo, se enquadram nessa lista.

Esquerda “nunca” invadiu sedes dos Poderes, disse Lula

Em um pronunciamento em Araraquara (SP), no dia 8 de janeiro de 2023, horas após os atos em Brasília (DF), Lula afirmou que “nunca” houve no Brasil invasão às sedes dos Poderes por parte da esquerda.

– É importante lembrar que a esquerda brasileira já teve gente torturada, já teve gente morta, já teve gente desaparecida. E nunca, nunca, vocês viram alguma notícia de algum partido de esquerda, de algum movimento da esquerda que invadisse o Congresso Nacional, a Suprema Corte e o Palácio do Planalto – disse o petista em um pronunciamento em Araraquara (SP).

Lula

O texto aponta que a declaração é falsa e cita como exemplo a invasão de 6 de junho de 2006, quando mais de 500 integrantes do Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST) invadiram a Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo a matéria, houve depredação, um veículo foi virado no saguão da Câmara e o episódio terminou com centenas de presos e ao menos 41 feridos, incluindo Normando Fernandes, da coordenação de logística da Polícia Legislativa, que precisou ser internado em estado grave na UTI do Hospital Santa Lúcia.

Foto: Reprodução/Print de Vídeo Instagram Lula

Foto: Reprodução/Print de Vídeo Instagram Lula


Comparação com Dom Pedro II no Acre é apontada como impossível

Durante evento em Rio Branco (AC), no dia 8 de agosto de 2025, Lula declarou que seus governos e os de Dilma Rousseff (PT) teriam feito mais obras no Acre do que todos os presidentes desde 1988 e “até mais do que Dom Pedro II”. O texto afirma que a comparação é historicamente impossível porque Dom Pedro II deixou de governar com a Proclamação da República, em 1889, e morreu em 1891, enquanto o Acre passou a integrar o território brasileiro apenas em 1903, após o Tratado de Petrópolis.

Declaração sobre Enem “sem nenhum problema” contrasta com apuração

Em novembro de 2023, durante uma transmissão ao vivo do extinto Conversa com o Presidente, Lula afirmou que o Enem daquele ano teria sido realizado “sem nenhum problema”. A matéria relata, porém, que a Polícia Federal precisou apurar o vazamento de imagens da prova nas redes sociais e que o Inep acionou a PF para investigar o caso. Segundo o texto, a investigação encontrou oito pessoas, em vários estados, que teriam compartilhado imagens do exame.

PIB acima de 3% “só com ele” é descrito como incorreto

Em 7 de março de 2025, durante evento sobre reforma agrária em Minas Gerais, Lula declarou que apenas em seus governos o Brasil teria registrado crescimento do PIB acima de 3% ao ano. O texto afirma que a informação é incorreta e cita que, em 2021, no governo Jair Bolsonaro (PL), o PIB cresceu 4,8%, segundo o IBGE, e que em 2022 a economia cresceu 3%.

No G20, fala sobre fome e extrema pobreza é contestada por dados da ONU

Na abertura do primeiro dia da Cúpula de Líderes do G20, em 18 de novembro de 2024, Lula apresentou números sobre fome e extrema pobreza. A matéria diz que os dados divulgados pelo presidente seriam falsos e afirma que os números da ONU seriam menores do que os citados por ele. Segundo o texto, entre 2021 e 2023 cerca de 8,4 milhões de pessoas passavam fome no Brasil; o relatório também menciona 39,7 milhões em insegurança alimentar e 14,3 milhões em estado severo de fome.

Nega “pedaladas” de Dilma, mas auditoria do TCU é citada

Em agosto de 2023, durante viagem a Angola, Lula teria negado a existência das “pedaladas” fiscais que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. O texto afirma que, em 2016, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) confirmou a prática e concluiu que o governo Dilma repetiu as “pedaladas” no primeiro ano do segundo mandato.

Calotes de Cuba e Venezuela: texto diz que dívidas são anteriores

Em 2023, Lula teria atribuído a Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade por calotes de Cuba e Venezuela ao Brasil. A matéria afirma que os dois países já tinham dívidas com o BNDES desde 2018, quando o presidente era Michel Temer (MDB).

Voos para a África: havia ligações regulares, diz o texto

Também em agosto de 2023, durante viagem oficial a Angola, Lula declarou que pretendia discutir por qual motivo o Brasil não tinha voos para o continente africano. O texto afirma que, naquele período, já havia ligações regulares, como voos da Ethiopian Airlines entre Adis Abeba e o Aeroporto de Guarulhos (SP), inclusive durante a pandemia, e que a TAAG Angola Airlines já havia retomado voos diretos entre Luanda e São Paulo. A matéria ainda menciona discussões envolvendo Latam (São Paulo–Joanesburgo) e Egypt Air (Cairo–São Paulo).

Lei de liberdade religiosa: declaração da campanha de 2022 é contestada

Durante a campanha presidencial de 2022, em uma caminhada em Salvador (BA), Lula afirmou que teria criado, em seu governo, uma lei que garantia a liberdade religiosa. A matéria diz que a norma citada não tratava especificamente de liberdade religiosa e que não foi criada por Lula.

Salário mínimo: fala de “cinco anos sem aumento” é confrontada com números

Em 2022, durante um encontro com pessoas com deficiência em São Paulo, Lula declarou que havia cinco anos o salário mínimo não aumentava. O texto afirma que, ao assumir a Presidência em 2019, Jair Bolsonaro tornou real o aumento de 1,14% já votado pelo Congresso Nacional. A matéria também aponta que, em 2020, o salário passou a R$ 1.039 em janeiro e foi corrigido para R$ 1.045 no mês seguinte, com aumento real estimado em 0,39%.

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