Cardiologista é preso suspeito de abusar de mais de 30 pacientes durante consultas

Investigação apura crimes sexuais durante consultas e segue em busca ativa; defesa nega acusações e diz não ter acesso ao inquérito

01/04/2026 às 18:34 por Redação Plox

Um médico foi preso dentro do próprio consultório, suspeito de abusar de dezenas de pacientes durante atendimentos de rotina, em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, foi preso nesta segunda-feira. Pesam sobre ele denúncias de mais de 30 vítimas por importunação sexual e violação sexual mediante fraude. Até esta quarta-feira, 14 mulheres já foram identificadas oficialmente. Todas registraram ocorrência e prestaram depoimento. A polícia, no entanto, acredita que o número real de vítimas seja ainda maior. Veja os detalhes na Live.


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Investigação segue em busca ativa e apura crimes sexuais

A polícia afirma que mantém busca ativa e trabalha com a possibilidade de haver mais vítimas. Conforme a investigação, o cardiologista Daniel Pereira Kollet agia dessa forma há pelo menos dois anos e, ao final das consultas, pedia segredo às pacientes.

De acordo com a Polícia Civil, são investigados possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável.

Foto: Divulgação/Polícia Civil


Relato aponta uso de medicação e retornos frequentes ao consultório

Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, uma das pacientes relatou que Kollet prescreveu o uso de medicação controlada e solicitou que ela voltasse ao consultório periodicamente. Ainda conforme o depoimento, foi durante essas consultas que o médico teria cometido os abusos.

Foi abusada várias vezes, porque ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática. A vítima andava dopada, se arrastando. Ela está vulnerável, então configura estupro de vulnerável

Delegado Valeriano Garcia Neto

O delegado também afirmou que a mulher passou a desconfiar de que havia algo errado e decidiu levar uma familiar para acompanhá-la em uma consulta. Segundo ele, nessa ocasião, o médico não teria encostado nela.

Depois disso, a paciente buscou outro profissional, que teria informado que ela não apresentava problema de saúde e que não precisava tomar o remédio.

Foto: Divulgação/Polícia Civil


Defesa nega acusações e diz não ter acesso ao inquérito

O advogado Rômulo Campana, do escritório que representa o médico, nega as acusações e afirma que ainda não teve acesso ao inquérito que embasou a prisão, contando apenas com informações preliminares. Segundo a defesa, o cliente negou integralmente as acusações.

A manifestação também sustenta que se trata de um médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, e que a atuação profissional teria sido pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde dos pacientes. O escritório informou ainda que, após ter acesso integral aos autos, emitirá nota oficial.

Polícia relata admissão informal durante a prisão

De forma informal, durante a prisão, o médico teria admitido que abraçava as vítimas com a intenção de demonstrar carinho e oferecer orientações espirituais, conforme relatado pelo delegado.

O delegado também descreveu que, segundo apuração, haveria beijos e carícias durante a consulta médica quando as pacientes estavam sem roupas, sem consentimento, e que as vítimas ficariam em estado de choque e sem reação.

Encaminhamento ao sistema prisional e canal para denúncias

Daniel Pereira Kollet foi encaminhado ao Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), centro de triagem de presos na capital.

Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (51) 98443-3481.

Cremers diz que medidas administrativas já foram tomadas

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informou que tomou conhecimento dos fatos e que medidas administrativas já foram adotadas para investigar o caso. O órgão afirmou que a situação é grave e deve ser apurada com rigor e que, se a denúncia for comprovada, serão tomadas as ações necessárias para punir os responsáveis.

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