O governo federal e pelo menos 20 estados fecharam um acordo para subsidiar o diesel importado e tentar conter a alta dos preços no Brasil. A medida vem na esteira da disparada do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões no Oriente Médio, que elevaram custos e aumentaram as incertezas sobre o abastecimento.
Como o país ainda importa parte do diesel que consome, o impacto do encarecimento no exterior chega ao consumidor. A proposta é que o poder público banque uma parcela do custo do combustível importado, com o objetivo de reduzir a pressão de repasse ao preço final.
Como funcionará o subsídio ao diesel importado
Na prática, o que foi combinado é uma subvenção para o diesel importado. O mecanismo prevê que o setor público arque com parte do valor para evitar que a alta seja ainda mais forte para a população.
O valor proposto é de R$ 1,20 por litro, dividido igualmente: R$ 0,60 pagos pela União e R$ 0,60 pelos estados que aderirem ao programa.
Há ainda um ponto adicional: esse novo subsídio se soma a uma subvenção federal anterior de R$ 0,32. Com isso, a subvenção total pode chegar a R$ 1,52 por litro.
Quem recebe e qual é o objetivo do programa
O benefício é destinado aos importadores — empresas que trazem diesel do exterior para complementar a oferta no país. A proposta busca dar previsibilidade, manter as importações e reduzir o risco de desabastecimento, especialmente em um cenário de rápida alta de custos no mercado internacional.
Segundo o texto, o subsídio terá caráter temporário e deve valer por até dois meses, como uma ação emergencial para atravessar o período mais crítico de elevação de preços.
Adesão dos estados será voluntária
Os estados não são obrigados a participar. A adesão é voluntária, e a maior parte já sinalizou que pretende entrar no acordo.
A contribuição de cada estado será proporcional ao volume de diesel consumido. Quem optar por ficar de fora não transfere sua cota aos demais.
Por que não houve corte direto de imposto
O texto aponta que uma proposta de zerar o ICMS na importação enfrentou resistência dos estados, que alegaram impacto na arrecadação e no financiamento de serviços públicos. Diante disso, a alternativa política e operacional encontrada foi o subsídio direto.
O acordo não substitui outras medidas já existentes. Continuam valendo, por exemplo, a isenção de tributos federais como PIS e Cofins, além do subsídio anterior.
Efeito em cadeia preocupa governo e estados
No fim das contas, a preocupação central é o efeito em cadeia: diesel mais caro encarece o frete, e o frete mais alto costuma pressionar alimentos, produtos e serviços, aumentando a inflação.
Quando a medida começa a valer
Apesar do acordo, a medida ainda não está em vigor. Ela precisa ser formalizada por uma medida provisória, que vai detalhar as regras do programa. Só depois disso a subvenção começa a ser aplicada.