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O senador Rodrigo Pacheco (PSB) comunicou a aliados que descarta a possibilidade de ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) no lugar de Jorge Messias. A pessoas próximas, Pacheco reforçou o que vem dizendo desde o ano passado, quando Messias foi indicado: para ele, o STF é “página virada”.
O gesto silencioso de Pacheco na sabatina de Messias
Foto: crédito: Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Jorge Messias, advogado-geral da União, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta com a aposentadoria de Luis Roberto Barroso. O nome, porém, foi rejeitado por 42 votos a 34, em uma derrota considerada histórica para o governo federal: desde a redemocratização, em 1988, é a primeira vez que isso ocorre.
Após o revés, a avaliação em Brasília é de que apenas Pacheco teria condições de ter o nome aprovado neste momento. Ainda assim, o senador rechaçou a hipótese em entrevista ao jornal O Globo.
É bom deixar claro que não há a mínima possibilidade de isso acontecer. Essa página está realmente virada para mim e eu afirmei isso desde o primeiro momento. Esse tempo passou, se algum dia existiu. Melhor nem especular sobre isso
Rodrigo Pacheco, em entrevista ao jornal O Globo
Antes da indicação oficial de Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e outros integrantes da Casa defenderam Pacheco para a vaga no STF. O senador mineiro, no entanto, acabou preterido por Lula, que trabalha para que ele seja o candidato da centro-esquerda ao governo de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, onde o presidente busca um palanque forte para a reeleição.
Pacheco tem sinalizado que pode disputar o Palácio Tiradentes, mas ainda não oficializou a decisão e mantém o destino político em aberto. O senador precisa se definir até o início de agosto, prazo máximo para registro das chapas. Até lá, tenta reforçar o palanque com apoio de partidos de centro, caso confirme a candidatura.
Recentemente, Pacheco deixou o PSD e se filiou ao PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve permanecer na chapa de Lula para a reeleição.
Pacheco deixou o PSD após a filiação do hoje governador Mateus Simões, que saiu do Novo para disputar a reeleição, depois de assumir o governo com a renúncia de Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República.
Na pesquisa mais recente de intenção de votos, divulgada na terça-feira (28/4) pela Quaest, Pacheco aparece em terceiro lugar em todos os cenários, atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT).
Durante a gestão de Pacheco à frente do Senado, Lula conseguiu aprovar a indicação de dois ministros do STF: Cristiano Zanin, advogado do presidente na Lava-Jato, e Flávio Dino, ministro do governo neste mandato. Eram nomes considerados até mais difíceis que o de Messias, pela proximidade com Lula, mas contaram com o apoio de Pacheco junto aos pares para serem aprovados.
Com a rejeição de Messias e a sinalização de Pacheco de que não quer a vaga, cresce a pressão para que Lula indique uma mulher ao STF. Antes da indicação do advogado-geral, entidades que atuam pela igualdade de gênero lançaram uma campanha sugerindo 13 mulheres para o posto.
O movimento voltou a ganhar força, e a indicação de uma mulher foi defendida ontem pela deputada e ex-ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT-PR). Em 132 anos de existência, o STF teve apenas duas ministras: Ellen Gracie, já aposentada, e a mineira Cármen Lúcia, que segue na ativa.
Ainda não está claro se Lula vai se arriscar a fazer uma nova indicação antes das eleições deste ano. A intenção de Alcolumbre, segundo o texto, é pautar a discussão sobre a vaga no STF apenas após o pleito. Além disso, no momento, não há clima para uma nova votação.
Se Lula não sair vitorioso na disputa pelo quarto mandato, a apreciação do novo integrante da Corte Suprema deve ficar para o próximo presidente.