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A promessa de tornar mais acessíveis as chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil ganhou força após a quebra de patente da semaglutida, que pode reduzir os preços em até 30%. Ao mesmo tempo, autoridades em Minas Gerais acendem o alerta para um mercado clandestino que aposta no “fracionamento caseiro” de substâncias — uma prática ilegal que barateia o custo, mas pode colocar vidas em risco.
Em um dos casos mais recentes, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, na quarta-feira (29/04), uma ex-servidora em Santa Luzia. Segundo a corporação, ela confessou que, sem formação técnica, aprendeu a manipular e revender doses de medicamentos para emagrecer a partir de tutoriais em redes sociais. Outras ações policiais também buscam conter a comercialização irregular desses produtos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a obesidade é uma doença crônica associada a problemas como diabetes tipo 2, e hipertensão
Foto: Foto: Divulgação
Por trás da busca pela perda de peso, há condições clínicas que exigem rigor farmacêutico e orientação profissional, e não soluções artesanais. É nessa linha que a designer Mariana Cristina Silva de Lima, de 32 anos, relata ter encontrado nos análogos de GLP-1 uma ferramenta para reduzir peso, sem recorrer a alternativas clandestinas.*
A luta contra a balança acompanhou Mariana por muito tempo, e a força de vontade, segundo ela, não bastava diante do diagnóstico de síndrome do ovário policístico, que torna o emagrecimento mais difícil. O cenário mudou em setembro do ano passado, quando ela iniciou tratamento com medicamentos dessa classe, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Desde então, perdeu 25 kg.
Esses medicamentos, como Ozempic e Mounjaro, estão ajudando muito mulheres que estão nessa mesma condição
Mariana Cristina Silva de Lima
Os medicamentos citados por Mariana têm atuação semelhante. O Ozempic, à base de semaglutida, teve a patente quebrada no fim de março. Na prática, a farmacêutica Novo Nordisk perde o monopólio sobre a produção da substância, o que deve reduzir em até 30% o valor dos medicamentos com esse princípio ativo ao longo dos próximos meses, conforme a endocrinologista Kamilla Brandão, do Hospital Orizonti.
Segundo ela, a quebra de patente abre espaço para o surgimento de medicações biossimilares, e laboratórios nacionais já sinalizaram interesse em produzir essas versões. A médica também ressalta que o uso tem indicação médica bem definida, associada a condições como diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso com comorbidades.
A semaglutida e a tirzepatida — conhecida pela marca Mounjaro — atuam imitando o GLP-1, hormônio liberado pelo intestino após a alimentação. O principal efeito é o aumento da saciedade e a redução do apetite. Inicialmente indicado para diabetes tipo 2, o medicamento recebeu aval técnico para o tratamento da obesidade.
Em Minas Gerais, a condição atinge três em cada dez adultos e segue em alta. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) indicam que o percentual passou de 30,6% em 2020 para 34,2% em 2025. Já a Organização Mundial da Saúde classifica a obesidade como uma doença crônica associada a problemas como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono e alterações metabólicas.
Com histórico de tentativas frustradas desde a infância, inclusive com uso de ansiolíticos, moderadores de apetite e fitoterápicos, Mariana descreve que agora percebe “resultados consistentes”, mas reforça a necessidade de acompanhamento médico. Ela mantém consultas com nutricionista e endocrinologista e pratica exercícios regularmente.
A endocrinologista Kamilla Brandão também faz uma ressalva sobre o uso do termo “canetas emagrecedoras”, ao avaliar que a expressão pode induzir à ideia de uso livre ou exclusivamente estético, quando se trata de um tratamento médico. A médica acrescenta que o medicamento não substitui mudanças no estilo de vida e que alimentação adequada e atividade física precisam estar associadas ao tratamento.
A comercialização irregular de medicamentos usados para emagrecimento tem mobilizado as forças de segurança em Minas Gerais. As investigações apontam venda de produtos sem autorização sanitária, sem comprovação de origem e, em alguns casos, trazidos ilegalmente do exterior.
Em janeiro, a PCMG prendeu um homem de 31 anos, em Belo Horizonte, suspeito de obter de forma fraudulenta e revender ilegalmente canetas injetáveis para perda de peso, além de anabolizantes. Parte dos produtos apreendidos não tinha registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em dezembro, a corporação deflagrou a operação Black Pen, em Montes Claros, no Norte do Estado, para combater o comércio irregular de canetas e ampolas emagrecedoras, com prisão em flagrante de uma mulher de 40 anos e apreensão de nove ampolas de medicamentos proibidos.
Segundo a Polícia Civil, a comercialização, importação ou distribuição de medicamentos sem registro ou autorização da autoridade sanitária pode configurar crimes como contrabando e delitos contra a saúde pública, especialmente quando há falsificação, adulteração ou venda sem controle regulatório. As penas variam conforme o enquadramento legal e podem incluir prisão, além de sanções administrativas como apreensão de produtos, multas e interdição de estabelecimentos.
A corporação afirma que atua de forma contínua no combate à importação e à venda ilegal desses medicamentos, inclusive quando comercializados pela internet ou ofertados em clínicas e estabelecimentos irregulares.