Guerra no Oriente Médio pressiona frete em dólar e encarece tecidos no interior de SP

Alta no custo de importação e atrasos na entrega de matérias-primas já preocupam o setor em cidades como Ibitinga e Bauru, enquanto empresas tentam segurar preços para não perder vendas.

01/06/2026 às 08:25 por Redação Plox

O agravamento do cenário no Oriente Médio já tem reflexos diretos no setor têxtil do interior de São Paulo, com aumento no custo de importação de tecidos, alta do frete internacional em dólar e atrasos na entrega de matérias-primas. O efeito tem preocupado fabricantes e lojistas em cidades como Ibitinga e Bauru, onde parte do comércio tenta segurar preços ao consumidor para não perder vendas. 


O agravamento do cenário no Oriente Médio já tem reflexos diretos no setor têxtil do interior de São Paulo.

Foto: Imagem criada por inteligência Artificial/Henrique Lacerda/PLOX


Em Ibitinga, polo reconhecido pela produção de bordados e enxovais

Em Ibitinga, polo reconhecido pela produção de bordados e enxovais, empresas relatam dificuldade para manter o ritmo de compras no exterior diante da escalada de custos logísticos e do encarecimento de insumos sintéticos, como poliéster e náilon. A cidade é apontada como “Capital Nacional do Bordado e dos Enxovais” em comunicações institucionais do município. 


Em Ibitinga, polo reconhecido pela produção de bordados e enxovais, empresas relatam dificuldade para manter o ritmo de compras no exterior .

Foto: Reprodução/FRAME


O problema não se limita ao preço do tecido

O problema não se limita ao preço do tecido: a logística global também ficou mais cara e instável. Relatórios internacionais vêm registrando que o aumento de riscos em rotas estratégicas levou empresas a desviar navios e alongar trajetos, elevando tempo de trânsito e despesas do transporte marítimo. A UNCTAD (agência da ONU para comércio e desenvolvimento) descreveu a mudança de rotas e a fuga de áreas de risco como um fator de pressão sobre cadeias de suprimentos e custos do comércio. 


O problema não se limita ao preço do tecido: a logística global também ficou mais cara e instável.

Foto: Imagem criada por inteligência Artificial/Henrique Lacerda/PLOX


Na prática, o varejo também sente o repasse

Na prática, o varejo também sente o repasse. Em Bauru, lojistas relatam reajustes nos pedidos mais recentes e adotam estratégias para reduzir margem e evitar que a alta afaste consumidores. Em confecções, a tentativa é absorver parte do aumento enquanto houver fôlego, mas o setor avalia que o limite depende do comportamento do câmbio, do frete e da regularidade no abastecimento.

O impacto ocorre em um momento em que o comércio global ainda lida com volatilidade

O impacto ocorre em um momento em que o comércio global ainda lida com volatilidade em gargalos marítimos. Um estudo do FMI apontou que ataques e tensões no Mar Vermelho e entorno do Canal de Suez, por exemplo, já haviam provocado queda expressiva no fluxo da rota e distorções logísticas, com efeitos sobre prazos e custos.

Até a manhã desta segunda-feira (1º), não havia indicação de normalização rápida do cenário logístico internacional nas fontes consultadas, e a expectativa do setor é de que o repasse de custos continue enquanto persistirem instabilidade geopolítica, desvios de rotas e fretes elevados em dólar.

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