Bebê indígena venezuelano morre por desnutrição em Betim
Camila Rátia vivia com a família na ocupação Terra Mãe, no bairro PTB; MPMG instaurou procedimento e recomendou medidas voltadas à comunidade.
01/06/2026 às 07:05por Redação Plox
01/06/2026 às 07:05
— por Redação Plox
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Uma menina indígena da etnia Warao, de 1 ano e 4 meses, morreu na quinta-feira (28) em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após ser internada com quadro grave de desidratação e desnutrição crônica. Camila Rátia vivia com a família na ocupação Terra Mãe, no bairro PTB, onde estão indígenas Warao refugiados da Venezuela.
Bebê indígena de origem venezuelana morre de desnutrição em Betim
Foto: TV Globo/ Reprodução
Criança chegou ao hospital em estado grave
Segundo a Prefeitura de Betim, a criança deu entrada no Centro Materno-Infantil na segunda-feira (25) e não resistiu, apesar da assistência prestada pela equipe multiprofissional da rede municipal de saúde. A administração municipal informou que a família teria chegado à ocupação havia cerca de um mês e que a bebê ainda não tinha sido identificada e vinculada pelas equipes de saúde nas ações de cadastramento e monitoramento do território.
Camila nasceu em Itabuna, na Bahia, em janeiro de 2025. Os pais são indígenas refugiados da Venezuela e se mudaram para Betim com a menina e outros filhos. À TV Globo, uma voluntária que acompanha a comunidade relatou que os médicos já tratavam o estado da criança como crítico antes da morte.
Comunidade já era acompanhada por órgãos públicos
A ocupação Terra Mãe reúne indígenas Warao em situação de vulnerabilidade. Em material divulgado em fevereiro de 2025, a Prefeitura de Betim informou que equipes da UBS Campos Elíseos realizavam visitas ao território desde junho de 2024, com atendimentos, vacinação, distribuição de medicamentos e orientação sobre acesso à rede pública de saúde.
O Ministério Público de Minas Gerais já havia classificado a situação da comunidade como de extrema vulnerabilidade. Em dezembro de 2025, uma vistoria técnica com representantes do MPMG, Judiciário, Defensoria Pública, órgãos federais e Cruz Vermelha apontou barracas improvisadas, dificuldade de acesso a água potável, energia elétrica e saneamento básico, além de insegurança alimentar.
MPMG acompanha caso e cobra medidas
Após a morte da criança, o MPMG passou a acompanhar o caso e informou que a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Betim instaurou procedimento para monitorar as políticas públicas voltadas à comunidade Warao. O órgão também expediu recomendação ao município para adoção de medidas emergenciais e contínuas, como intensificação da vacinação, equipe fixa de atenção primária no território, visitas domiciliares periódicas e monitoramento de risco nutricional e materno-infantil.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que acompanha, junto ao município, as averiguações sobre óbitos envolvendo crianças da etnia Warao. Segundo a pasta, a investigação epidemiológica de mortes infantis é obrigatória no SUS e deve ser conduzida pelo município de residência, com apoio das unidades regionais de saúde e da SES-MG, em prazo de até 120 dias após o óbito.