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Idoso morre e família denuncia pinça esquecida dentro do corpo durante cirurgia

Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, morreu após duas cirurgias no Hospital Municipal de João Pinheiro; família aponta pinça cirúrgica esquecida no corpo, enquanto Prefeitura alega quadro clínico grave e abre sindicância

02/01/2026 às 08:21 por Redação Plox

Um idoso de 68 anos morreu na véspera do Natal após passar por duas cirurgias no Hospital Municipal de João Pinheiro, no Noroeste de Minas, e a família acusa a unidade de saúde de erro médico. Parentes de Manoel Cardoso de Brito afirmam que uma pinça cirúrgica foi esquecida dentro do corpo do paciente após o primeiro procedimento, informação que, segundo eles, só veio à tona depois da morte.

Secretaria de Saúde de João Pinheiro confirmou retirada de corpo estranho e disse que abriu sindicância para apurar o caso. Entenda.

Secretaria de Saúde de João Pinheiro confirmou retirada de corpo estranho e disse que abriu sindicância para apurar o caso. Entenda.

Foto: Reprodução / Redes sociais.



A Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou, em nota, que foi identificado e retirado um “corpo estranho” durante uma cirurgia e que o paciente tinha quadro clínico grave e múltiplas comorbidades. O órgão informou ainda que abriu sindicância, reforçou protocolos de segurança e notificou a ANVISA para apuração do caso.


Manoel morreu no dia 24 de dezembro, um dia antes de completar 69 anos, após treze dias de internação na unidade, onde passou por duas intervenções cirúrgicas.

Internação de urgência e duas cirurgias

De acordo com o Boletim de Ocorrência, o idoso passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de João Pinheiro. Após exames, os médicos indicaram a necessidade de uma cirurgia de urgência, realizada em 5 de dezembro.


A equipe médica informou à família que o procedimento havia transcorrido normalmente e que o paciente tinha uma úlcera gástrica. Manoel ficou dois dias na UTI e, em seguida, foi transferido para o quarto.


Durante a internação, ele apresentou dores e sonolência excessiva, o que chamou a atenção da cuidadora contratada pela família. No dia 11, diante da suspeita de um AVC, foi solicitada uma tomografia. Ainda segundo o registro policial, pouco depois o paciente foi levado às pressas para uma nova cirurgia, sem que os familiares fossem informados dos motivos.


Após o segundo procedimento, os médicos relataram à família que haviam retirado um dreno e pus da cavidade interna. Manoel voltou para a UTI, mas não resistiu.

Tomografia aponta instrumento e família questiona atendimento

Segundo o advogado da família, um exame de tomografia divulgado por uma rádio local chegou ao conhecimento dos parentes após a morte e indicaria a presença de uma pinça cirúrgica dentro do corpo do idoso.


O advogado informou, em nota, que acompanha as investigações da Polícia Civil e que vai solicitar todos os prontuários, laudos, exames e registros clínicos e administrativos do Hospital Municipal para avaliar a conduta na assistência prestada ao paciente.


A Polícia Civil, procurada, informou que, por estar em regime de plantão, não poderia repassar informações sobre o andamento do caso.

Versão da Prefeitura e medidas adotadas

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e a Administração Municipal afirmaram que Manoel deu entrada no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares em 5 de dezembro de 2025, encaminhado pela UPA, apresentando quadro grave de vômitos com sangramento, sequelas neurológicas importantes e rebaixamento do nível de consciência.


O comunicado relata que, nessa ocasião, foi identificado um corpo estranho na cavidade abdominal, o que levou à necessidade de nova abordagem cirúrgica, com encaminhamento imediato do paciente ao centro cirúrgico e comunicação à acompanhante sobre o procedimento.


A Prefeitura informou que, durante o segundo procedimento, não foi constatada perfuração de alça intestinal e que as suturas da primeira cirurgia estavam íntegras, sem intercorrências adicionais. No dia seguinte, segundo a nota, a família foi novamente informada sobre a cirurgia realizada e sobre a identificação e retirada do corpo estranho.


A administração municipal destacou que o paciente chegou ao hospital em estado clínico extremamente debilitado, com infecção já instalada, idade avançada e histórico de cardiopatia, diabetes, arritmia cardíaca e graves sequelas de AVC, fatores que, de acordo com a gestão, contribuíram para o desfecho.


O texto também afirma que, ao tomar conhecimento do caso, a direção do hospital notificou o evento adverso, reforçou barreiras e protocolos de segurança do paciente, comunicou o episódio à ANVISA e instaurou sindicância interna, além de ter realizado reunião com toda a equipe cirúrgica, registrando as medidas em ata.

Por fim, o Município manifesta sua solidariedade aos familiares e reafirma que permanece à disposição para prestar toda a assistência necessária, bem como para fornecer esclarecimentos adicionais, sempre pautado pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde pública.

Prefeitura de João Pinheiro

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