Comércio irregular de canetas para emagrecer cresce online e vira alvo da Polícia Civil do RJ
Produtos são anunciados sem receita e, em alguns casos, sem autorização da Anvisa; investigação também mira farmácias, clínicas e vendedores autônomos
02/03/2026 às 09:33por Redação Plox
02/03/2026 às 09:33
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O comércio ilegal de canetas emagrecedoras tem se espalhado pela internet, expondo consumidores a riscos graves à saúde. Vendidos sem prescrição médica e, em muitos casos, sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esses produtos circulam livremente nas redes sociais, embalados por promessas de “emagrecimento rápido” e ofertas com descontos para pagamento via PIX.
Diante da expansão desse mercado clandestino, a Polícia Civil do Rio de Janeiro intensificou as investigações para localizar fornecedores e desarticular a rede de venda irregular. Desde o fim do ano passado, operações vêm sendo deflagradas para coibir a comercialização ilegal por farmácias, clínicas de estética e vendedores autônomos.
Alguns dos anúncios de canetas emagrecedoras na internet
Foto: Reprodução/TV Globo
Vendas sem receita e suspeita de falsificação
Levantamento do Bom Dia Rio encontrou dezenas de postagens com fotos de caixas fechadas e abertas de medicamentos emagrecedores oferecidos na internet. A venda é considerada ilegal quando ocorre sem receita médica, fora de farmácias autorizadas pela Anvisa ou em situações com indícios de falsificação e contrabando.
Em contatos telefônicos feitos com anunciantes, parte deles confirmou a comercialização sem qualquer exigência de prescrição. Um dos vendedores disse conseguir a caneta por R$ 1.800 “com um amigo” e encerrou a ligação ao ser questionado sobre os riscos da prática.
Outra vendedora ofereceu ampolas de tirzepatida a R$ 500 cada, com “valor promocional”, chegando a indicar um protocolo de uso. Em um terceiro contato, o anunciante afirmou que não realizava a venda diretamente, mas que poderia intermediar a compra do medicamento.
Alerta de endocrinologistas sobre riscos
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia repudia a venda irregular desses produtos. A vice-presidente da entidade, Karen de Marca, destaca que muitos medicamentos são aprovados apenas na forma de caneta aplicadora ou comprimido, o que torna ainda mais importante a atenção ao formato em que chegam ao consumidor.
Ela ressalta que o paciente deve usar apenas medicamentos prescritos por profissional habilitado e com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), além de desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado ou de produtos fora da embalagem original.
Influenciadora é presa por anunciar medicamentos
No dia 24, uma influenciadora digital e o marido foram presos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com as investigações, Larissa da Silva Caetano Anunciação se apresentava como enfermeira nas redes sociais e anunciava medicamentos, prática proibida pela legislação.
Ela e o marido, Marcus Vinícius Silva da Anunciação, foram detidos por agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) e vão responder por crime contra a saúde pública e contra as relações de consumo. Na casa do casal, a polícia apreendeu ampolas de canetas emagrecedoras, suplementos alimentares, dois celulares e dois computadores.
Apreensões e rota internacional
Em outra ação, no dia 20, agentes prenderam um grupo suspeito de trazer produtos irregulares do Paraguai. As investigações miram toda a cadeia de fornecimento, desde quem importa ou traz os itens de fora do país até os responsáveis pela divulgação e venda nas redes sociais.