Cresce percentual de mulheres que relatam medo de ser estupradas no Brasil
Pesquisa aponta impacto da insegurança na rotina e deslocamentos; subnotificação e dificuldades de denúncia seguem como entraves, enquanto dados oficiais registram 591.495 ocorrências de estupro entre 2015 e 2024
02/03/2026 às 08:39por Redação Plox
02/03/2026 às 08:39
— por Redação Plox
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O medo de sofrer violência sexual, incluindo estupro, aparece de forma recorrente em levantamentos nacionais e volta ao centro do debate após a divulgação de pesquisas que expõem tanto a dimensão do crime quanto a sensação de insegurança que marca a rotina de mulheres no Brasil. Em paralelo, dados oficiais reunidos pelo Ministério das Mulheres mostram que o país registrou dezenas de milhares de ocorrências de estupro em 2024, reforçando a gravidade do cenário.
Foto: Agência Brasil
Pesquisas indicam alcance da violência sexual
Levantamento divulgado em 30 de setembro de 2025 pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Instituto Locomotiva, aponta que 15% das mulheres brasileiras dizem já ter sido vítimas de estupro, com predominância de relatos de violência ainda na infância, até os 13 anos. A própria reportagem que apresentou o estudo destaca a subnotificação dos casos e as dificuldades de denúncia e acolhimento.
Conteúdos recentes sobre mobilidade e segurança também indicam que o medo de sofrer violência — em sentido amplo — interfere diretamente nas escolhas cotidianas. Há relatos de mulheres que evitam circular sozinhas, especialmente à noite, alterando trajetos, horários e até deixando de participar de atividades por receio de agressões.
Entre especialistas e órgãos que produzem esses levantamentos, há atenção especial à necessidade de distinguir pesquisas que medem especificamente o “medo de ser estuprada” daquelas que tratam de “medo de violência” de forma mais ampla. Nem todos os estudos disponíveis trazem séries históricas comparáveis ano a ano sobre esse medo específico, o que ainda exige consolidação de dados para confirmar, com precisão estatística, o eventual crescimento desse percentual.
Dados oficiais mostram dimensão do problema
No Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2025), o Ministério das Mulheres compila dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública e informa que, entre 2015 e 2024, foram registradas 591.495 ocorrências de estupro de mulheres no Brasil.
Somente em 2024, houve 71.892 casos, o equivalente a 196 registros por dia, ainda que com queda de 1,44% em relação a 2023. Esses números são considerados registros oficiais e ajudam a explicar por que a percepção de insegurança entre mulheres permanece em patamar elevado, mesmo diante de variações anuais nas estatísticas.
Medo de estupro muda rotinas e deslocamentos
Na prática, o medo de sofrer violência sexual e a percepção de risco se traduzem em mudanças concretas no dia a dia. Entre as adaptações mais frequentes estão evitar trajetos a pé ou o uso de transporte público em determinados horários, reduzir a participação em eventos noturnos e alterar rotinas de trabalho ou estudo, com ajuste de horários e percursos.
Esse contexto também se reflete em maior busca por redes de apoio, canais de denúncia e informações sobre como agir em situações de risco, além de estratégias de autoproteção no espaço público e privado.
Para leitoras que vivem em grandes centros urbanos, especialmente em estados do Sudeste, onde os deslocamentos diários costumam ser longos, o tema aparece ligado a pontos de ônibus, estações de transporte e trajetos de “última milha” até em casa, principalmente à noite. O risco de violência dentro do próprio ambiente doméstico também é apontado com frequência em debates e reportagens sobre o assunto.
Desafios para medir o medo e orientar políticas públicas
Pesquisas de opinião e dados oficiais são considerados fundamentais para mapear com mais precisão o medo de ser estuprada e orientar políticas de prevenção, acolhimento e proteção. Um dos desafios é reunir séries históricas que permitam comparar, de forma consistente, a evolução desse sentimento de insegurança ao longo do tempo.
Institutos de pesquisa e órgãos públicos vêm sendo acompanhados justamente para identificar novos levantamentos com foco em “medo de estupro” e atualizações sobre a incidência de violência sexual, inclusive com recortes regionais. A expectativa é que essas informações ajudem a indicar onde políticas de segurança, atendimento e apoio às vítimas precisam ser reforçadas.
Entre as próximas etapas dessa apuração estão a busca pelo questionário e pela ficha técnica completa dos levantamentos já divulgados, bem como a comparação com eventuais edições anteriores dos mesmos estudos. A consolidação desses dados é vista como essencial para confirmar com base metodológica robusta se, de fato, cresce o percentual de mulheres que relatam medo de ser estupradas no país.
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