Conflito no Oriente Médio derruba ações de empresas de viagens e cancela mais de 4 mil voos
Escalada entre EUA, Israel e Irã paralisa hubs como Dubai e Doha, pressiona custos com alta do petróleo e amplia cancelamentos e redirecionamentos de rotas.
02/03/2026 às 14:31por Redação Plox
02/03/2026 às 14:31
— por Redação Plox
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As ações de empresas do setor de viagens desabaram nesta segunda-feira (2), com uma perda conjunta de US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões), segundo a Reuters. O agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã afetou voos em todo o mundo, fechou importantes hubs no Oriente Médio e impulsionou a alta dos preços do petróleo, em um cenário que analistas veem como de semanas de interrupções no transporte aéreo.
Imagem Ilustrativa
Foto: Freepik
Voos cancelados e hubs estratégicos paralisados
Dados apontam que pelo menos 4 mil voos foram cancelados em todo o mundo nos últimos três dias. Nesta segunda, a Cirium, empresa de análise de aviação, informou que ao menos 1,5 mil voos foram cancelados no dia, consolidando o total superior a 4 mil desde sábado.
Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, e Doha permaneceram fechados pelo terceiro dia consecutivo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos. O setor aéreo enfrenta o que é descrito como seu maior desafio desde a pandemia de Covid-19. Nesta segunda-feira (2), a Jordânia tornou-se o mais recente país da região a fechar parcialmente seu espaço aéreo.
Petróleo dispara e pressiona custos das companhias
Os preços do petróleo chegaram a subir 13%, alcançando o maior patamar desde janeiro de 2025, à medida que Irã e Israel intensificavam ataques. O movimento aumenta a perspectiva de combustível mais caro e pressiona ainda mais os custos das companhias aéreas.
Nos Estados Unidos, as ações de companhias aéreas caíram na abertura dos mercados, com American Airlines e United Airlines recuando mais de 6%. Um grupo de 29 empresas líderes de aviação, hotelaria e agências de viagem da Europa, Ásia e América do Norte perdeu, em conjunto, US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões) em valor de mercado na segunda-feira, de acordo com cálculos da Reuters.
Queda generalizada nas ações do setor de viagens
Na Europa, as ações da TUI, maior empresa de viagens da região, caíam 9,6%, enquanto Lufthansa recuava 5,7% e a IAG, controladora da British Airways, perdia 5,4%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival também registravam quedas acentuadas.
Analistas destacam três principais focos de pressão para as aéreas: aumento dos custos de combustível, cancelamentos em massa e despesas com redirecionamentos. JPMorgan, Goodbody e Citi apontaram a Wizz Air como a companhia europeia mais exposta, devido à sua forte presença em Israel. As ações da empresa recuavam 7% nesta segunda-feira.
Todas as companhias aéreas estão lotadas e todos os voos estão lotados porque as pessoas estão tendo que aceitar o que podem
Paul Charles, chefe da consultoria de viagens PC Agency
Preso no exterior, ele afirmou que aeronaves e tripulações estavam espalhadas pelo mundo em lugares inadequados, descrevendo um “cenário de pesadelo”.
Companhias tentam retomar operações no Oriente Médio
A Etihad, baseada em Abu Dhabi, retomou alguns voos, enquanto o Aeroporto Ben Gurion, em Israel, informou que reabrirá de forma limitada. A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos anunciou o início de “voos especiais” nos aeroportos do país, em iniciativa para permitir que parte das dezenas de milhares de passageiros retidos no Oriente Médio consiga deixar a região.
Mesmo antes do conflito, o setor já vinha sob pressão, com viajantes preocupados com custos evitando férias mais caras. A Norwegian Cruise Line Holdings projetou, nesta segunda-feira, um lucro para 2026 abaixo do esperado.
Muitas companhias aéreas do Oriente Médio seguiram cancelando voos. A flydubai suspendeu todas as operações de e para Dubai até as 15h (8h, no horário de Brasília) de terça-feira.
Impactos se espalham pela Ásia e Europa
As ações de companhias aéreas asiáticas também foram duramente afetadas. ANA Holdings (Japão), Air China, China Eastern Airlines e AirAsia X (Malásia) registravam queda de pelo menos 4%. A Cathay Pacific cancelou todos os voos para o Oriente Médio, incluindo Dubai e Riad, e isentou clientes de taxas de remarcação.
A Singapore Airlines suspendeu voos de e para Dubai até 7 de março, enquanto a Japan Airlines interrompeu os serviços entre Tóquio e Doha.
O analista independente de aviação Brendan Sobie avaliou que as companhias aéreas indianas estão particularmente expostas, por conta da forte frequência de voos ao Oriente Médio, que atendem trabalhadores migrantes, e da proibição do uso do espaço aéreo do Paquistão em rotas de e para a Europa.
A Air India cancelou voos entre a Índia e Zurique, Copenhague, Birmingham, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Catar, além de informar que voos para Nova York e Newark passarão a reabastecer em Roma.
Passageiros correm para remanejar viagens
Os efeitos em cadeia já atingem viajantes em todos os continentes. Em 2024, Dubai foi o aeroporto internacional mais movimentado do mundo, com 92 milhões de passageiros, segundo o Conselho Internacional de Aeroportos, superando o Heathrow, em Londres, em 13 milhões. Doha ocupou a 10ª posição no ranking.
A Lufthansa cancelou voos de passageiros de e para os Emirados Árabes Unidos, mas tentou operar um voo de carga com um Airbus de Dubai para Munique, sem passageiros.
Em Sydney, passageiros da Qatar Airways relataram à Reuters que correram para reorganizar viagens com poucas informações disponíveis. O jovem Ascanio Giorgetti, de 16 anos, e sua mãe, Alessandra Giorgetti, da Itália, descobriram que o voo para Milão, via Doha, havia sido cancelado. Eles conseguiram uma rota alternativa para casa via Los Angeles, em outra companhia aérea.
Segundo Alessandra, não houve retorno pelos canais de atendimento da Qatar Airways, e as passagens custaram 4 mil euros.
O casal Jenni e Doug Stewart, ambos de 78 anos, viajava de Sydney para a Escócia via Doha quando o voo retornou a Melbourne, antes de seguir novamente para Sydney. Jenni relatou que foi informada de que o espaço aéreo havia sido fechado. Doug descreveu a situação em Melbourne como caótica, com centenas de pessoas em busca de qualquer informação disponível.