Gripe avança antes do previsto em 2026 e internações de idosos por SRAG sobem 153% no Brasil
Especialistas apontam circulação mais precoce e contínua do vírus, baixa cobertura vacinal e desinformação como fatores que elevam casos e complicações
02/04/2026 às 10:16por Redação Plox
02/04/2026 às 10:16
— por Redação Plox
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O avanço antecipado da gripe em 2026 já começa a pressionar o sistema de saúde no Brasil, com impacto mais forte entre idosos a partir de 60 anos. Dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) apontam aumento nas hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por influenza nos primeiros meses do ano, em uma tendência de agravamento que já havia aparecido em 2025.
Gripe avança antes do esperado e internações de idosos disparam 153%
Foto: Freepik
Circulação mais cedo e aumento de casos chamam atenção
Para a infectologista Nancy Bellei, professora da Unifesp e integrante do comitê de Infecções Respiratórias Virais da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a circulação da influenza em 2026 se destaca pela elevação no número de casos e, consequentemente, de hospitalizações em diferentes regiões do país.
O comportamento do vírus neste ano indica uma presença mais precoce e contínua. Já vínhamos observando aumento de casos desde janeiro, com crescimento mais evidente a partir de fevereiro. Em algumas regiões, como o Ceará, os picos já foram registrados
Nancy Bellei
Segundo a especialista, o vírus predominante em 2026 é mais transmissível. Ela afirma que não se trata de uma variante mais grave, mas que se espalha com mais facilidade, o que contribui para mais pessoas doentes ao mesmo tempo, inclusive dentro da mesma família. Bellei também alerta para o impacto da gripe em quadros graves e mortes, especialmente entre idosos, e para a necessidade de reforçar medidas de prevenção diante da antecipação da sazonalidade.
Baixa cobertura vacinal e desinformação agravam o cenário
Outro fator associado ao cenário é a baixa cobertura vacinal. Em entrevista à CNN, Drauzio Varella atribui parte do problema à desinformação e à percepção de que vacina seria voltada apenas às crianças.
O médico também relaciona a urgência do tema ao crescimento da população acima de 60 anos no país e ao risco de uma maior incidência de internações e de aumento do risco de morte quando esse grupo permanece sem vacinação.
Complicações vão além dos sintomas respiratórios
* Embora muitas vezes subestimada, a gripe pode desencadear complicações importantes, especialmente em idosos e em pessoas com doenças pré-existentes. A infectologista Rosana Richtmann afirma que o risco imediato é a hospitalização, mas que os efeitos podem se estender a outras condições de saúde.
De acordo com Richtmann, a influenza pode descompensar doenças como diabetes e problemas respiratórios já existentes, além de favorecer eventos cardíacos e vasculares, como infarto, arritmia e acidente vascular cerebral. Ela relaciona esses impactos à imunossenescência, processo natural de envelhecimento do sistema imunológico, que reduz a capacidade de resposta do organismo a infecções.
Vírus circula antes da vacinação e encontra população desprotegida
Especialistas também apontam um descompasso entre a circulação do vírus e o início da vacinação. Em 2026, a gripe começou a se espalhar antes do esperado, atingindo uma população ainda não imunizada. Richtmann observa que, com a campanha começando agora, o vírus já encontra pessoas desprotegidas.
A infectologista acrescenta que a maior circulação global de pessoas contribuiu para essa antecipação, ao favorecer a chegada de cepas que circularam com intensidade no Hemisfério Norte.
Disputa por audiência impulsiona notícias falsas
Mesmo com evidências sobre a eficácia da vacinação, a adesão segue abaixo do ideal, com influência de informações falsas difundidas principalmente nas redes sociais. A bióloga e influenciadora Mari Krueger afirma que combater a desinformação tem se tornado mais difícil, já que conteúdos enganosos costumam se espalhar com rapidez ao apelar ao medo ou a soluções fáceis.
Ele diz que criadores de conteúdo têm buscado novas formas de comunicação para enfrentar esse cenário e cita o uso do humor como estratégia para atrair atenção e, a partir disso, transmitir informação.
Vacinação anual segue como principal forma de proteção
Diante do avanço da gripe e do aumento de casos graves, a vacinação anual permanece como a principal ferramenta para reduzir hospitalizações e mortes. Além de proteger contra a infecção, a vacina também diminui o risco de complicações cardiovasculares e respiratórias, um benefício relevante para idosos.
Ao concluir, Drauzio Varella reforça a necessidade de insistir na segurança das vacinas e de lembrar que, para pessoas mais velhas, o risco de não se vacinar vai além da chance de contrair a doença.