Lula defende o Pix após relatório dos EUA citar desvantagem para empresas americanas

Presidente disse em Salvador que “o Pix é do Brasil” e afirmou que ninguém fará o país mudar a ferramenta; documento menciona Visa e Mastercard e critica políticas comerciais brasileiras

02/04/2026 às 12:28 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do Pix nesta quinta-feira (2), após críticas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro em um relatório do governo dos Estados Unidos. Segundo Lula, o serviço prestado pela ferramenta à população brasileira é o que sustenta a manutenção do modelo.

Presidente rebateu críticas ao sistema de pagamentos feito por um relatório do governo dos EUA, que aponta “desvantagem” do método.

Presidente rebateu críticas ao sistema de pagamentos feito por um relatório do governo dos EUA, que aponta “desvantagem” do método.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


De acordo com o documento, publicado pela Casa Branca na quarta-feira (1), o Pix pode criar uma “desvantagem” para empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos, como Visa e Mastercard.

Lula rebate relatório dos EUA e diz que Pix não será mudado

Os Estados Unidos fez um relatório essa semana sobre o Pix e ele disse que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix acho que cria problema para a moeda dele. O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é o do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando a sociedade brasileira - Luiz Inácio Lula da Silva

De acordo com o titular do Planalto, a única atitude possível do governo brasileiro é aprimorar a ferramenta, para que ela atenda cada vez mais às necessidades da população.

Declaração ocorreu em evento do Novo PAC em Salvador

A declaração foi dada durante uma cerimônia de entregas do Novo PAC na área de mobilidade urbana, em Salvador (BA). Antes da fala, Lula já estava encerrando o evento quando foi lembrado pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, de comentar o tema. A orientação — “Não esqueça de falar do Pix” — foi vazada pelo microfone que estava na mão do presidente.


Depois do pronunciamento, uma arte com a frase “O Pix é do Brasil” foi publicada nas redes sociais do presidente.

Pix já havia sido citado em investigação dos EUA com base na Seção 301

O Pix também já havia entrado no radar do governo norte-americano em outro momento. No ano passado, após taxar em 50% produtos brasileiros, a Casa Branca anunciou a abertura de uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da lei de comércio norte-americana.


O documento apontava supostas “práticas desleais”, incluindo a rua 25 de Março, em São Paulo — descrita no relatório como um símbolo do comércio popular — e o Pix. Ainda segundo o texto, a “pirataria” na região “permaneceu por décadas como um dos maiores mercados de produtos falsificados”.

Relatório cita Banco Central e obrigação de adoção por grandes instituições

Conforme o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação, o Pix “parece se engajar em uma série de práticas desleais”, que não se limitariam a “favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.


O documento também afirma que o Banco Central do Brasil criou, é proprietário, opera e regula o Pix, e registra preocupações de representantes do setor nos Estados Unidos sobre um possível favorecimento ao sistema. Ainda segundo o relatório, o Banco Central exige que instituições financeiras com mais de 500 mil contas adotem o uso do Pix.

Relatório inclui críticas à “taxa das blusinhas” e ao Mercosul

Além do Pix, o relatório cita críticas a determinações do comércio brasileiro, como a chamada “taxa das blusinhas”. A avaliação do governo norte-americano é que essas políticas podem dificultar a entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro.


O documento também detalha medidas consideradas “protetivas” e critica taxas impostas pelo Brasil a produtos importados, inclusive dos Estados Unidos. Entre os itens listados estão automóveis, autopeças, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço e têxteis e vestuário.


Por fim, o relatório faz críticas ao Mercosul e afirma que exportadores americanos enfrentam “incertezas significativas” no mercado brasileiro, apontando que o governo “frequentemente modifica as taxas alfandegárias dentro das flexibilidades do Mercosul”.

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