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Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. A principal pauta levada às manifestações foi o fim da escala 6x1 — seis dias de trabalho e um de descanso — sem redução salarial.
Em Brasília, o protesto ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul, e reuniu populares e centrais sindicais.
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6x1Em Brasília, manifestação ocorreu no Eixão do Lazer
Foto: Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, participou do ato ao lado do neto, de 5 anos, da nora e da mãe, de 80, para cobrar direitos trabalhistas. Ela disse que, atualmente, trabalha com carteira assinada, e relembrou o período em que atuou como feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem registro em carteira.
Ao falar sobre a realidade de colegas, Cleide chamou atenção para situações que considera ilegais no ambiente de trabalho.
Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.
Cleide Gomes
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por sete centrais sindicais do Distrito Federal e contou com atrações culturais e discursos. Os organizadores sustentam que a redução da jornada não prejudica a economia, aumenta a produtividade e representa uma medida de justiça social e de garantia de direitos.
Cleide Gomes com o netinho e a nora
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Durante a manifestação, a trabalhadora informal Idelfonsa Dantas afirmou buscar melhores condições para a população e defendeu a redução da escala de trabalho. Para ela, a mobilização precisa ser constante.
Também estiveram no Eixão as bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, que passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas. Enquanto aguardam a nomeação, elas dizem lutar pela valorização das carreiras na educação e por melhores oportunidades. Ellen Rocha defendeu que as crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas.
A vendedora Idelsonsa Dantas falou à Agência Brasil, durante ato no Eixão
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Cartazes pedindo o fim da escala 6x1 aproximaram três mulheres durante o protesto, unidas pela defesa de mais tempo livre para autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, afirmou que trabalha com o desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais. Ela contou que, por um ano, atuou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados, o que teria trazido prejuízos à formação educacional e à saúde.
Segundo Ana Beatriz, a mudança para a escala 5x2 — cinco dias de trabalho e dois de descanso — melhorou a qualidade do sono, da alimentação e a disposição no dia a dia. Ela defendeu ser possível reduzir a jornada de 44 horas semanais para 40, desde que haja planejamento das escalas.
A aposentada Ana Campania classificou a 6x1 como “escala da escravidão” e disse ter ido ao ato para exigir o fim da precarização da mão de obra. Ela também afirmou que o 1º de maio é um dia de luta por melhores condições, mencionando preocupação com conquistas de décadas, como a estabilidade dos servidores e garantias da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Presidente da CUT/Brasília, professor Rodrigo Rodrigues
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O sindicalista Geraldo Estevão Coan, que atua na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, participou do ato e protestou pelo fim da jornada dupla e até tripla enfrentada por mulheres trabalhadoras no país. Para ele, os homens precisam dividir as tarefas de cuidado com a casa e os filhos e afirmou que o fim da escala 6x1 deve beneficiar ainda mais as mulheres.
O protesto em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Segundo o relato, a confusão começou após simpatizantes levarem um boneco do ex-presidente em tamanho real, vestido com uma capa da bandeira do Brasil, gesto que foi interpretado como provocação no Eixão Sul.
Houve troca de insultos e socos, e o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A corporação informou que pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais e que as equipes policiais atuaram rapidamente para restabelecer a ordem pública, sem registro de ocorrências graves.