Após mais de 14 horas de sessão no Tribunal do Júri de Ipatinga, dois acusados pelo triplo homicídio ocorrido em março de 2019, em Ipaba, foram condenados nesta quarta-feira (1º). O resultado saiu já depois da meia-noite: um dos réus recebeu pena de 93 anos de prisão e o outro foi sentenciado a 66 anos e 8 meses.
Foto: Redes Sociais O crime, que chocou a região, aconteceu quando um homem armado entrou em um bar em Ipaba e abriu fogo contra os presentes. Foram mortos Helizecristian Graziela de Oliveira, de 30 anos, proprietária do local; o marido dela, Junio Alves Trega, de 29; e o amigo do casal, Washington de Freitas Procópio, de 26. Laudos apontaram que Helizecristian foi atingida por 17 tiros, Junio por sete e Washington por cinco.
Foto: Andressa Estevão/PLOX Na saída do julgamento, o Ministério Público destacou que a decisão representa a resposta da sociedade frente à gravidade do crime.
Os jurados deram uma resposta à altura da gravidade do crime, e o juiz também sentenciou de forma compatível com a brutalidade dos fatos. Foi a resposta que a sociedade de Ipatinga e de Ipaba precisava diante desse crime bárbaro", afirmou a acusação.
A promotoria ainda lembrou que outros dois acusados serão julgados na próxima semana. Esses processos também estão relacionados, segundo a acusação, a disputas envolvendo o tráfico de drogas na região.
Já a defesa, composta pelos advogados Gerci Moreira, Eliseu Brasil e Leandro Leão, manifestou insatisfação com o resultado, embora tenha reconhecido a soberania dos jurados.
Saímos daqui respeitando a decisão dos jurados, mas não com alegria. Houve reconhecimento de algumas teses da defesa, como homicídio minorado para um réu e participação de menor importância para o outro. Ainda assim, entendemos que não havia provas consistentes para condenações tão severas", afirmou Gerci Moreira.
Segundo os defensores, diversas irregularidades ocorreram durante o julgamento, como a manutenção dos réus algemados em plenário.
Isso é uma afronta à dignidade da pessoa humana e será um dos pontos que levaremos em recurso. Consideramos que as penas foram exacerbadas e iremos buscar a nulidade do julgamento ou, subsidiariamente, a redução das condenações", destacou Eliseu Brasil.
A defesa também ressaltou contradições na investigação.
Quando a PM registrou o boletim de ocorrência, uma testemunha apontou outra pessoa como autor dos disparos, que sequer foi indiciada ou denunciada. Houve divergência desde o início: a Polícia Civil indiciou oito pessoas, o Ministério Público denunciou seis, e apenas quatro foram levados a júri. Entendemos que não há provas suficientes para condenar todos", disse Leandro Leão.
Foto: Andressa Estevão/PLOX Um dos réus, segundo os advogados, já está preso há seis anos e perdeu a mãe recentemente, não tendo conseguido acompanhar integralmente o luto familiar. A defesa informou que já manifestou oficialmente a intenção de recorrer e levará o caso ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Vídeo: Andressa Estevão/PLOXA próxima sessão do júri está marcada para terça-feira da semana que vem, quando outros dois acusados devem ser julgados. A expectativa, tanto da acusação quanto da defesa, é de novos embates jurídicos em torno do caso que marcou Ipaba e Ipatinga com um dos crimes mais violentos da região.
Vídeo: Andressa Estevão PLOXO desfecho da condenação desta quarta-feira é visto por parte da sociedade como uma resposta contra a violência ligada ao tráfico de drogas, que tem se intensificado na região do Vale do Aço.