Alta do diesel vira pressão mais imediata sobre custos do agro em meio à escalada no Oriente Médio

Com petróleo acima de US$ 100, diesel S10 acumula cerca de 23% de alta no Brasil desde 28 de fevereiro; governo anuncia medidas para tentar conter preços e evitar repasse para transportes e alimentos

03/04/2026 às 08:06 por Redação Plox

A disparada do petróleo no mercado internacional, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, tem elevado o preço do diesel no Brasil e colocado o combustível como a pressão mais imediata sobre custos logísticos e de produção no agronegócio, com potencial de repasse para transportes e alimentos.


Imagem ilustrativa.

Imagem ilustrativa.

Foto: Freepik


Diesel sobe no país com avanço do Brent e agrava custo logístico do agro

Do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, até a semana encerrada em 22 de março, o preço do diesel S10 acumulou alta de cerca de 23% no país, segundo dados citados pela Agência Brasil com base em painel de acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No mesmo período, o barril do Brent — referência internacional — passou a ser negociado em patamar acima de US$ 100, após estar perto de US$ 70 antes do conflito, de acordo com a mesma publicação. O movimento reforça a percepção de que, no curto prazo, o encarecimento do combustível é o principal vetor de pressão sobre os custos do agro, especialmente pelo peso do diesel no transporte e nas operações no campo.

Governo anuncia medidas e diz priorizar abastecimento e preço

Em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em 14 de março que o governo federal prioriza garantir abastecimento e “segurar o preço” do diesel. Segundo a Agência Brasil, o Executivo anunciou medidas como zerar PIS/Cofins sobre o combustível e criar uma subvenção de R$ 0,32 por litro, com expectativa de reduzir ao menos R$ 0,64 por litro na bomba.

A Agência Brasil também destacou que o Brasil importa 25% do diesel, fator que aumenta a sensibilidade do preço interno às oscilações internacionais e amplia a preocupação com repasses ao longo da cadeia de produção e distribuição.

CNA pede aumento da mistura de biodiesel e relata alta em postos

A pressão do diesel sobre o campo também foi reforçada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em 6 de março, a entidade pediu ao governo elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17% (de B15 para B17), argumentando que a medida ajudaria a reduzir impactos da alta do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio.

Na avaliação da CNA, o preço do diesel é a principal preocupação do setor produtivo durante o período de colheita da primeira safra e preparação do plantio da segunda safra, com relatos de elevação de até R$ 1 no valor do combustível em postos, segundo a Agência Brasil.

Risco geopolítico e rotas estratégicas ampliam volatilidade do petróleo

O cenário de pressão sobre combustíveis ocorre em uma região que concentra produção de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, citado pela Agência Brasil como corredor por onde passa cerca de 20% da produção mundial.

Com isso, a combinação de risco geopolítico e encarecimento do petróleo tem sido apontada como fator de distorção na cadeia de energia e de aumento de custos no transporte, com reflexos em diferentes setores da economia — e, no agronegócio, com o diesel no centro da pressão de curto prazo.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a