Após derrotas no Congresso, Lula testa novo mote para reeleição e mira soberania e fim da escala 6x1

Presidente mudou o tom no pronunciamento de 1º de Maio, criticou o “sistema”, anunciou novo Desenrola e passou a apostar em novas bandeiras após reveses como a derrubada do veto ao PL da Dosimetria e a rejeição no Senado da indicação de Jorge Messias ao STF.

03/05/2026 às 10:31 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a testar um mote para a campanha de reeleição em meio a dificuldades na relação com o Congresso Nacional. Na última semana, o governo acumulou duas derrotas importantes no Legislativo, incluindo a rejeição do indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal), episódio descrito como inédito desde o fim do século 19.

Segundo o relato, Lula instruiu auxiliares a buscar um novo conjunto de propostas que possam ser apresentado como eixo de um eventual quarto mandato. Na avaliação do presidente, a retomada de programas sociais e outras medidas econômicas adotadas nos últimos anos não conseguiram alavancar sua popularidade.

O petista sofreu derrotas políticas tanto no dia em que o programa foi ao ar quanto na véspera

O petista sofreu derrotas políticas tanto no dia em que o programa foi ao ar quanto na véspera

Foto: crédito: Foto: Ricardo Stuckert / PR


Sinais do discurso em pronunciamento de 1º de Maio

Uma prévia do que pode orientar a narrativa eleitoral apareceu no pronunciamento em rede nacional de TV em alusão ao 1º de Maio. No vídeo, Lula criticou o “sistema”, defendeu a redução da jornada semanal e o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso — mencionando que o projeto está com o Congresso — e anunciou o novo Desenrola, reedição do programa de regularização de dívidas.

No mesmo pronunciamento, o presidente se colocou contra as empresas de apostas esportivas (as “bets”), acenou a mulheres e ao público religioso, defendeu medidas do governo para conter a alta dos combustíveis atribuída à guerra no Oriente Médio e falou em defender a soberania e as riquezas do país.

Duas derrotas no Legislativo na semana do programa

O governo sofreu reveses políticos tanto no dia em que o pronunciamento foi ao ar quanto na véspera. Na quinta (30), o Congresso derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria, projeto que reduz penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados no processo da trama golpista. No dia anterior, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF.

Aliança em Minas entra no cálculo

A rejeição no Senado também complicou uma das alianças consideradas importantes por Lula. O presidente quer que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) seja candidato ao governo de Minas Gerais, segundo estado com mais eleitores do país. O texto relata que Pacheco ainda não confirmou a candidatura e que setores lulistas desconfiam que ele tenha trabalhado contra Messias, além de apontarem perda de disposição para apoiá-lo.

Área social segue como base, mas campanha busca novas bandeiras

Na campanha, Lula deve manter a exaltação da área social, por ser uma marca associada ao PT e ao próprio presidente. Ainda assim, o diagnóstico citado é que a reeleição exigirá novas bandeiras. O programa de governo e a linha central da campanha, segundo a reportagem, ainda estão em elaboração, embora alguns tópicos já venham sendo testados.

Soberania nacional e comparação com Bolsonaro

Nas últimas semanas, Lula sinalizou que pode reciclar o discurso de defesa da soberania nacional, com o objetivo de explorar o alinhamento do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) com os Estados Unidos e tentar se beneficiar da imagem negativa de Donald Trump no Brasil. O texto afirma que o melhor momento de popularidade do petista no mandato ocorreu no segundo semestre do ano passado, quando adotou esse discurso como resposta ao tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros.

Outra bandeira que voltou a ganhar espaço é a comparação entre obras da atual gestão e as do mandato de Bolsonaro. Paralelamente, Lula tem feito declarações em série condenando a violência contra as mulheres, numa tentativa de recuperar terreno junto ao eleitorado feminino, citado como decisivo em 2022.

Bolsa Família, Pé-de-Meia e isenção do IR sem impulso na popularidade

Em 2022, Lula sustentou parte do discurso na retomada de programas sociais após o que teria sido um desmonte no governo Bolsonaro. No atual mandato, consolidou o Bolsa Família em R$ 600 e criou um adicional de R$ 150 por filho de até seis anos para famílias beneficiárias. Também instituiu o Pé-de-Meia, que paga R$ 200 mensais a estudantes pobres do ensino médio para reduzir a evasão escolar, entre outras ações.

Mesmo com o aumento de gastos nessa área, a reportagem afirma que Lula não conseguiu impulsionar sua popularidade. As pesquisas citadas apontam empate dele com o principal adversário em intenção de voto no segundo turno. O texto também diz que petistas consideraram frustrantes os dividendos de popularidade com a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês.

Fim da escala 6x1, apps e segurança pública no horizonte

Lula pretende implantar o fim da escala 6x1 e quer o projeto aprovado pelo Congresso antes da eleição, para que a redução de jornada possa se tornar uma marca do governo.

O governo, segundo a reportagem, gostaria de ter regulamentado o trabalho por meio de aplicativos, mas não chegou a um acordo com empresas, motoristas e motociclistas, e a proposta foi engavetada por ora.

Na segurança pública, apontada como tema com potencial de centralidade na eleição, Lula defende a aprovação de uma PEC que reorganiza atribuições dos entes federativos, mas o projeto está em debate há mais de um ano. O presidente condiciona a criação de um Ministério da Segurança Pública — promessa de 2022 — à aprovação dessa PEC.

Tecnologia entra como possível eixo do programa

Uma possibilidade mencionada por aliados é que o programa de governo tenha foco em desenvolvimento tecnológico. O PT elaborou um documento com diretrizes e, conforme o texto, o coordenador das discussões, Cristiano Silveira, afirmou à Folha que o objetivo seria reduzir a dependência brasileira de tecnologias vindas de fora.

Segundo a reportagem, Lula escalou o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli para cuidar da elaboração do programa, reunindo ideias do PT e de forças aliadas. Ele integra o núcleo duro da pré-campanha ao lado do presidente do PT, Edinho Silva, e do ex-prefeito de Diadema (SP) José de Filippi Jr.

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