Dólar abre em alta após proposta dos EUA de nova sobretaxa contra produtos brasileiros

Moeda era cotada a R$ 5,0162 por volta das 9h, com investidores reagindo a tarifas anunciadas pelo USTR e atenção também voltada ao petróleo, tensões no Oriente Médio e dados do Boletim Focus.

03/06/2026 às 10:05 por Redação Plox

O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (3 de junho), cotado a R$ 5,0162 por volta das 9h, avanço de 0,14%. O movimento ocorre em meio à reação dos investidores a uma nova proposta de sobretaxa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, anunciada na noite de terça-feira (2). As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começam às 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


EUA propõem nova tarifa com base na Seção 301

A nova medida prevê tarifa adicional de 12,5% sobre importações de países que, segundo investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), não teriam mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado. A proposta atinge cerca de 60 economias e ainda passará por consulta pública antes de eventual decisão final.

A sobretaxa foi apresentada um dia depois de o USTR propor tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, também com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. No caso do Brasil, a investigação anterior citou temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Ainda não há cobrança imediata

As medidas ainda não estão em vigor. No caso da tarifa de 25%, o USTR abriu prazo para comentários até 1º de julho e marcou audiência pública para 6 de julho. Já na investigação sobre trabalho forçado, a agência americana informou que receberá manifestações até 6 de julho, com audiência prevista para 7 de julho.

Ainda há dúvidas sobre eventual acúmulo das tarifas. Se as duas medidas forem adotadas de forma cumulativa, a sobretaxa sobre parte dos produtos brasileiros poderia chegar a 37,5%. A definição depende do andamento dos processos nos Estados Unidos e das negociações comerciais entre os dois países.

Petróleo e Oriente Médio também pressionam mercados

Além da disputa comercial, o mercado acompanha as incertezas no Oriente Médio e seus reflexos sobre o petróleo. Perto das 9h, segundo dados citados no material enviado à redação, o barril do Brent subia 2,10%, cotado a US$ 98,02, enquanto o WTI avançava 2,15%, a US$ 95,78.

A alta do petróleo mantém investidores atentos ao impacto sobre combustíveis e inflação. No Brasil, o último Boletim Focus mostrou nova elevação da projeção para o IPCA de 2026, de 5,04% para 5,09%, na 12ª semana seguida de alta. A estimativa para o crescimento do PIB passou de 1,89% para 1,90%, enquanto a projeção para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16.

Bolsas globais operam sem direção única

No exterior, os mercados abriram o dia sem tendência única. Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street oscilavam entre quedas leves e alta moderada no Nasdaq. Na Europa, os principais índices também operavam em baixa no início da manhã, enquanto as bolsas asiáticas fecharam mistas, com alta na China e queda em Hong Kong.

O desempenho do dólar ao longo do dia deve continuar influenciado pela percepção de risco externo, pelo avanço das propostas de tarifas americanas e pelas sinalizações sobre o preço do petróleo. No Brasil, investidores também acompanham os efeitos das medidas sobre exportadores e sobre as expectativas para inflação e juros.

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