Ouro dispara com tensão entre EUA e Irã e dúvidas sobre juros nos EUA
Metal avança após forte rali e ganha força com busca por proteção, enquanto mercado monitora Federal Reserve e indicadores de emprego
04/02/2026 às 10:14por Redação Plox
04/02/2026 às 10:14
— por Redação Plox
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O ouro voltou a subir nesta quarta-feira, estendendo o forte rali da véspera, quando registrou o maior ganho diário em 17 anos. O movimento reflete a busca de investidores por ativos considerados mais seguros em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e às incertezas em torno da política monetária americana.
O ouro voltou a subir nesta quarta-feira
Foto: Freepik
Por volta das 12h18 (horário de Londres), o ouro à vista avançava 2,2%, negociado a US$ 5.046,47 por onça, depois de ter saltado 5,9% na sessão anterior. Os contratos futuros do metal nos Estados Unidos, com vencimento em abril, subiam 2,7%, cotados a US$ 5.068,90 por onça.
Segundo analistas, a disparada do metal é resultado de uma combinação de fatores que vai da geopolítica às dúvidas sobre a condução dos juros nos EUA.
Risco geopolítico volta ao radar
No front externo, as tensões entre Washington e Teerã voltaram a ganhar força. As Forças Armadas americanas informaram na terça-feira que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia. O episódio ocorreu em paralelo a esforços diplomáticos para tentar viabilizar novas negociações nucleares entre os dois países.
O aumento do risco geopolítico tende a reforçar a procura por ativos de proteção, como o ouro, em um momento em que investidores já vinham buscando segurança adicional.
Dúvidas sobre o Fed e pressão política
No campo da política econômica, declarações do presidente americano, Donald Trump, reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve. Na segunda-feira, ele afirmou que a investigação envolvendo o presidente do banco central, Jerome Powell, deveria seguir até o fim, o que alimentou questionamentos sobre a independência da autoridade monetária.
Além disso, o mercado ainda digere os efeitos da indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed e do aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME, fatores que ampliaram a volatilidade recente do metal.
Volatilidade extrema e ganhos no ano
O ouro se recupera após uma correção acentuada. Na segunda-feira, o metal acumulou queda próxima de 10%, prolongando as perdas da sexta-feira anterior, no maior recuo em dois dias em décadas. A correção foi intensificada pelas mudanças no comando do banco central americano e pelas novas exigências de margem, que pressionaram posições alavancadas.
A despeito dos solavancos de curto prazo, o ouro ainda acumula valorização superior a 17% no ano, sustentado por um cenário de juros estruturalmente mais baixos e por incertezas econômicas e políticas em várias regiões do mundo.
Expectativa por dados de emprego e juros
Os investidores agora aguardam a divulgação, ainda hoje, do relatório de emprego do setor privado nos Estados Unidos (ADP). O dado é visto como um termômetro importante da atividade econômica americana e pode ajudar a calibrar apostas sobre os próximos passos da política de juros do Fed.
Atualmente, o mercado projeta ao menos dois cortes de juros em 2026. Em um ambiente assim, a classe de ativos que não oferece rendimento, como o ouro, tende a ganhar competitividade em relação a títulos e aplicações de renda fixa.
Como o ouro não paga juros, ele costuma se tornar mais atrativo quando as taxas estão baixas ou em trajetória de queda, o que reforça a percepção de que o metal pode seguir favorecido se se confirmarem novos afrouxamentos monetários à frente.
Prata, platina e paládio acompanham movimento
O rali não se limita ao ouro. Entre outros metais preciosos, a prata à vista subia 5,7%, a US$ 90 por onça. No início da semana, o metal havia recuado à mínima de um mês, de US$ 71,33, depois de ter alcançado um recorde histórico de US$ 121,64 na semana passada.
A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio registrava alta de 5,3%, negociado a US$ 1.825 por onça.