Pelo pubiano em pistola 9 mm mudou investigação do assassinato do pastor Anderson do Carmo
Vestígio encontrado no cano da arma derrubou a hipótese de latrocínio e ajudou a apontar Flávio dos Santos como autor dos disparos, segundo a perícia
04/02/2026 às 10:25por Redação Plox
04/02/2026 às 10:25
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
Um vestígio quase invisível teve papel decisivo na investigação do assassinato do pastor Anderson do Carmo, em 2019, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Um pelo pubiano encontrado no interior do cano da arma usada no crime desmontou a versão inicial de latrocínio e abriu espaço para o uso do DNA como prova central no processo que resultou na condenação de envolvidos no caso envolvendo Flordelis. As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
A descoberta ocorreu durante a análise técnica da pistola calibre 9 mm utilizada na execução do pastor. O material genético possibilitou identificar quem havia manuseado a arma, contrariando a narrativa apresentada pela defesa nos primeiros momentos da investigação.
Flordelis
Foto: Imagem-Reprodução: Redes Sociais
Vestígio mudou o rumo da investigação
Anderson do Carmo foi morto a tiros na garagem da casa onde vivia com a então deputada federal Flordelis, em junho de 2019. Inicialmente, o caso foi tratado como assalto, hipótese que passou a ser questionada após a perícia no local e nos objetos apreendidos.
Durante a inspeção da arma, o perito criminal Diego Lameirão, especialista em locais de crime, identificou um pelo pubiano preso no interior do cano da pistola. O vestígio continha material genético suficiente para exame e se tornou um dos pontos de partida para aprofundar as investigações.
De acordo com a perícia, a presença do pelo indicava que a arma havia sido colocada na cintura do autor dos disparos, o que não era compatível com a versão de roubo apresentada inicialmente.
DNA apontou autor dos disparos
Com as suspeitas recaindo sobre integrantes da própria família, o uso da genética tornou-se essencial para esclarecer quem havia efetuado os tiros. O material biológico foi submetido a exames laboratoriais e comparado com amostras de possíveis envolvidos.
A análise genética, combinada com imagens de câmeras de segurança, apontou Flávio dos Santos, filho biológico de Flordelis, como responsável pelos disparos que mataram o pastor. Essa conclusão teve peso determinante no andamento do processo judicial.
Do local do crime ao laboratório
O trabalho pericial vai além da cena do crime. Vestígios como fios de cabelo, manchas de sangue e fragmentos de tecido são recolhidos com técnicas específicas e enviados a laboratórios especializados.
No ambiente laboratorial, o material passa por etapas de purificação e amplificação até a formação de um perfil genético individual, comparado por especialistas a um código único.
Banco nacional fortalece investigações
Após a obtenção do perfil genético, os dados podem ser cruzados com o Banco Nacional de Perfis Genéticos, criado em 2013. O sistema reúne atualmente mais de 270 mil registros e inclui amostras de condenados por crimes graves, que são obrigados por lei a fornecer DNA.
Além de esclarecer crimes específicos, a base nacional permite relacionar diferentes ocorrências a um mesmo autor, o que é considerado fundamental em investigações de crimes seriados, especialmente os de natureza sexual.