CPMI do INSS inclui Flávio Bolsonaro entre alvos e pode convocá-lo para depor
Requerimento cita suspeita de ligação indireta com o núcleo do “Careca do INSS” por meio de administradora do escritório do senador; pedidos serão analisados nesta quinta (5)
04/02/2026 às 10:39por Redação Plox
04/02/2026 às 10:39
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a integrar a lista de alvos da CPMI que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Um requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) pede a convocação do parlamentar para prestar esclarecimentos à comissão sobre possíveis vínculos com o grupo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais articuladores do esquema.
A conexão entre Flávio e o núcleo investigado ocorreria por meio de Letícia Caetano dos Reis, administradora da empresa Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde abril de 2021, ano em que o escritório foi aberto. O endereço da firma coincide com o da mansão comprada pelo senador em março daquele ano, imóvel avaliado em R$ 5,97 milhões.
Flávio Bolsonaro comemora captura de Maduro pelos EUA (
Foto: Redes Sociais)
Relações com aliados e figuras do núcleo investigado
Em entrevistas, Letícia afirmou que foi indicada para o cargo pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro e figura influente no meio político de Brasília. Reportagem do portal Metrópoles mostrou que, também em 2021, Willer promoveu uma festa de aniversário que contou com a presença de Flávio e de outros nomes da direita, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o ex-vice-governador do DF Paulo Octávio e o ex-governador José Roberto Arruda.
A suspeita central da CPMI é a existência de uma relação indireta entre Flávio Bolsonaro e o núcleo comandado por Antônio Carlos Camilo Antunes, uma vez que Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado pela Polícia Federal como sócio do “Careca do INSS”.
Atuação de Alexandre Caetano e movimentação patrimonial
Segundo a Polícia Federal, Alexandre seria o principal operador das fraudes por meio da empresa Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A companhia teria adquirido, em 2024, quatro imóveis que somam R$ 11 milhões. A investigação apura se a empresa funcionaria como uma offshore usada para ocultar patrimônio supostamente incompatível com a renda declarada.
Alexandre também atua como contador do Instituto Modal e é sócio de empresas com o nome VOGA. Entre os sócios está Paula Batista dos Reis, investigada pela PF por movimentar R$ 8,1 milhões de forma considerada suspeita.
Requerimento pede sigilos e detalhamento de operações
O requerimento apresentado por Rogério Correia solicita não apenas a convocação de Flávio Bolsonaro e de Letícia Caetano, mas também a quebra dos sigilos bancário e fiscal da administradora do escritório do senador. O objetivo é identificar possíveis movimentações financeiras atípicas e eventuais repasses feitos por pessoas ou empresas já investigadas, rastreando a origem e o destino dos recursos.
Próximos passos da CPMI do INSS
Os pedidos serão analisados nesta quinta-feira (5), data de retomada dos trabalhos da CPMI. De acordo com o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ainda estão previstas 13 sessões antes da votação do relatório final, esperada para o fim de março. A expectativa é de que as quebras de sigilo e novas oitivas definam o rumo da apuração na reta final dos trabalhos.