Irmãos desaparecidos no Maranhão completam um mês sem pistas concretas

Ágatha Isabelly, 6, e Allan Michael, 4, sumiram em Bacabal enquanto brincavam em área de mata; buscas mobilizaram mais de 500 pessoas, mas não houve novas provas

04/02/2026 às 08:43 por Redação Plox

O desaparecimento de Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, completa um mês nesta quarta-feira (4). Desde que os irmãos sumiram, a cidade de Bacabal, no interior do Maranhão, vive uma rotina de apreensão e buscas contínuas, que mobilizam forças de segurança, familiares, voluntários e moradores da região, ainda sem respostas concretas sobre o paradeiro das crianças.

Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michel, de quatro, estão desaparecidos há 26 dias

Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michel, de quatro, estão desaparecidos há 26 dias

Foto: Redes sociais


Como ocorreu o desaparecimento

As crianças desapareceram em 4 de janeiro de 2026, enquanto brincavam em uma área de mata no povoado quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. No mesmo dia, familiares acionaram as autoridades, registraram boletim de ocorrência e deram início às buscas oficiais.

Com Ágatha e Allan estava o primo Anderson Kauã, de oito anos. Ele foi encontrado três dias depois por carroceiros, também em área de mata, debilitado e sem roupas. Anderson recebeu atendimento médico e permaneceu cerca de 13 dias internado, sob cuidados físicos e psicológicos, após perder aproximadamente 10 quilos no período em que ficou desaparecido.

Depois de resgatado, o menino relatou às autoridades que os três entraram sozinhos na mata e se perderam. Em determinado momento, ele teria se separado dos primos ao sair em busca de ajuda.

Forças mobilizadas e mudanças nas buscas

Nas primeiras semanas, a operação contou com um grande efetivo de agentes estaduais e apoio federal. Mais de 500 pessoas participaram das ações, entre policiais civis e militares, bombeiros, servidores da prefeitura, voluntários e integrantes de órgãos federais.

Com o avanço dos trabalhos, equipes do Pará e do Ceará reforçaram a operação, levando bombeiros e cães farejadores para a região. As buscas se concentraram inicialmente na mata e contaram com sobrevoos de helicópteros para ampliar a área de varredura.

Cães farejadores localizaram vestígios das crianças em um casebre abandonado às margens do rio Mearim. A partir dessa nova pista, o foco das buscas se deslocou para o rio: equipes da Marinha e mergulhadores do Corpo de Bombeiros passaram a atuar em atividades aquáticas e subaquáticas na tentativa de encontrar sinais dos irmãos.

Terreno hostil e dificuldades no trabalho

Responsáveis pela operação apontam a complexidade do terreno como um dos principais entraves. A área onde as crianças desapareceram é formada por mata fechada, relevo irregular, lagos e riachos, o que dificulta o deslocamento das equipes e a realização de uma varredura completa.

Em vários pontos, as equipes se depararam com animais silvestres, serpentes e outros obstáculos naturais, que tornam o trabalho mais lento e aumentam o nível de risco das incursões na mata.

Pistas, rumores e linhas de investigação

Apesar do esforço de buscas e da participação de diferentes forças de segurança, nenhum indício definitivo sobre o paradeiro de Ágatha e Allan foi encontrado até agora. Ao longo das semanas, diversas hipóteses foram analisadas e, paralelamente, as autoridades precisaram lidar com informações falsas e boatos.

Em uma dessas frentes, a Polícia Civil de São Paulo foi acionada para apurar uma denúncia de que duas crianças semelhantes aos irmãos teriam sido vistas em um hotel na capital paulista. Após diligências, ficou constatado que não se tratava de Ágatha e Allan.

A mãe dos irmãos declarou em entrevistas que acredita na possibilidade de que os filhos tenham sido levados e chegou a mencionar a hipótese de tráfico humano, mas não há provas públicas que confirmem essa linha de investigação. A Polícia Civil do Maranhão, por sua vez, afirma que não descarta nenhuma possibilidade no momento.

Como o caso impacta a comunidade

O caso abalou profundamente os moradores do quilombo São Sebastião dos Pretos e de toda a cidade de Bacabal. A escola da comunidade, que serviu como base de apoio às equipes de busca, relata um clima de tristeza e ansiedade entre alunos, professores e famílias, sobretudo com a proximidade da volta às aulas.

Nas redes sociais, o desaparecimento dos irmãos ganhou repercussão nacional, com internautas de diferentes estados comentando e compartilhando informações sobre o caso. Autoridades, como o prefeito de Bacabal e o governador do Maranhão, se manifestaram em seus perfis, destacando o empenho nas buscas.

A prefeitura de Bacabal chegou a anunciar uma recompensa em dinheiro para quem apresentar informações que ajudem a localizar as crianças. Moradores e voluntários seguem mobilizados, auxiliando nas buscas e na divulgação de dados disponíveis.

Até o momento, porém, não surgiram novas provas sobre onde podem estar Ágatha Isabelly e Allan Michael. A Itatiaia informou ter procurado a Polícia Civil do Maranhão para atualizar o andamento das buscas, mas ainda não obteve retorno.

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