Moraes decreta prisão preventiva de Sererê Xavante por descumprir medidas cautelares
Indígena apontado como pivô dos ataques à sede da PF em Brasília teve tornozeleira sem sinal desde novembro e não compareceu para verificação
04/02/2026 às 10:07por Redação Plox
04/02/2026 às 10:07
— por Redação Plox
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de José Acácio Sererê Xavante, apontado como pivô dos ataques promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a sede da Polícia Federal (PF), em dezembro de 2022.
Cacique Tserere
Foto: Reprodução
A decisão atende a pedido da Polícia Federal e ocorre após o indígena descumprir medidas cautelares impostas pelo STF. Ele estava em prisão domiciliar desde abril de 2024 e utilizava tornozeleira eletrônica, cujo sinal está ausente desde novembro, conforme documentos do processo.
A defesa alegou que Sererê Xavante vive em área rural, com dificuldades de acesso à internet. Moraes, no entanto, ressaltou que o investigado não atendeu às ligações de agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) nem procurou o órgão para verificar ou substituir o equipamento de monitoramento.
Além disso, o indígena deixou de comparecer à Seape quando foi convocado, o que levou o ministro a concluir que não é possível sequer garantir que ele ainda esteja usando a tornozeleira eletrônica.
A circunstância caracteriza o descumprimento injustificado da medida substitutiva da prisão. Nesse contexto, o descumprimento das medidas cautelares pessoais diversas da prisão é causa hábil a autorizar o restabelecimento da custódia preventiva, nos termos dos arts. 282, §§ 4º e 5º, e 312, §1º, do Código de Processo Penal […] Diante do exposto, nos termos da manifestação da Procuradoria-Geral da República e do art. 312, § 1º, do Código de Processo Penal, decreto a prisão preventiva de José Acácio Sererê Xavante
Alexandre de Moraes
Histórico de prisões e atuação em atos antidemocráticos
Sererê Xavante já havia sido preso na Argentina em dezembro de 2024, também por descumprir medidas cautelares. Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele foi um dos líderes do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, em 2022, com o objetivo de pressionar as Forças Armadas por um golpe militar contra o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O indígena é evangélico, se autodenomina pastor e ficou conhecido pelo apoio a Bolsonaro. Ele ganhou notoriedade ao participar e convocar manifestações de caráter antidemocrático em diferentes pontos de Brasília, consolidando-se como uma das figuras mais visíveis entre os grupos radicais bolsonaristas.
Cacique Tserere
Foto: Reprodução
Prisão em 2022 e ataques à sede da PF
A primeira prisão de Sererê Xavante, em 12 de dezembro de 2022, foi o estopim para uma noite de violência em Brasília. Na ocasião, militantes bolsonaristas incendiaram veículos no centro da capital e tentaram invadir a sede da Polícia Federal, para onde o indígena havia sido levado inicialmente.
De acordo com a PF, ele participou de manifestações de cunho antidemocrático em vários locais do Distrito Federal, como em frente ao Congresso Nacional, no Aeroporto Internacional de Brasília, no ParkShopping, na Esplanada dos Ministérios e diante do hotel onde estava hospedado o então presidente eleito Lula.
Carta e recuo sobre fraude nas urnas
Após a tentativa de invasão à sede da PF, já no início de janeiro de 2023 e ainda preso, o cacique assinou uma carta em que reconheceu ter cometido um “equívoco” ao defender a tese de que houve fraude nas urnas eletrônicas. O documento marcou um recuo público em relação a uma das principais bandeiras dos grupos golpistas, embora não tenha encerrado sua condição de investigado nem as medidas impostas pelo STF.