Três Poderes assinam no Planalto pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio

Acordo cria comitê com representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário para integrar ações de prevenção, proteção e responsabilização, em meio a recorde de casos no país

04/02/2026 às 12:12 por Redação Plox

Os três Poderes da República assinam nesta quarta-feira (4), no Palácio do Planalto, o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário em um compromisso institucional para combater a violência letal contra mulheres e meninas no país.


Três Poderes lançam 'Pacto Brasil Contra o Feminicídio'

Três Poderes lançam 'Pacto Brasil Contra o Feminicídio'

Foto: Reprodução/ CanalGov

O lançamento será realizado no Salão Nobre do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e de autoridades de todos os Poderes.

Batizado com o lema “Todos Por Todas”, o pacto tem como objetivo integrar ações de prevenção, proteção, responsabilização de agressores e garantia de direitos para mulheres vítimas de violência de gênero.

A proposta é articular esforços entre União, estados, Distrito Federal, municípios, sistema de Justiça e sociedade civil para enfrentar de forma coordenada o feminicídio.

Comitê interinstitucional e instrumentos de prevenção

Apesar do anúncio, o governo ainda não detalhou como as políticas previstas serão executadas na prática.

De acordo com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi criado um comitê com quatro representantes de cada um dos Poderes para discutir a formação de um grupo de trabalho voltado ao enfrentamento do feminicídio.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ressaltou instrumentos já existentes que ajudam na prevenção, como o formulário de avaliação de risco e as medidas protetivas de urgência.

Com esse pacto vamos avançar, a Justiça será mais rápida no julgamento e o Estado não pode apenas reparar, embora deva fazer, não pode apenas punir, embora seja legitimo, deve evitar que as mulheres morram e deve garantir que vivam com dignidade, autonomia e liberdadeEdson Fachin

A iniciativa foi proposta por Lula, que vem intensificando em seus discursos a defesa de ações mais firmes contra a violência dirigida às mulheres.

Atuação de Janja e articulação política

O presidente já declarou publicamente que o engajamento direto no tema atendeu a um pedido da primeira-dama, Janja da Silva, para que ele assumisse uma postura mais dura no combate à violência contra a mulher.

Janja foi a primeira a falar durante o evento e agradeceu ao presidente pelo compromisso com o pacto. Ela disse sentir orgulho pelo fato de Lula ter percebido sua angústia em relação ao tema.

O acordo é resultado de uma articulação iniciada em dezembro do ano passado, quando Lula reuniu ministros do governo, integrantes do Judiciário e representantes de diferentes áreas para discutir o assunto. Naquele momento, o encontro teve caráter preliminar e não gerou medidas concretas.

Embora a violência contra a mulher seja reconhecida como um problema estrutural e alarmante no Brasil, o tema também tem ganhado espaço no discurso político de Lula em meio às movimentações para o cenário eleitoral de 2026. Em 2024, o presidente declarou publicamente que “quem bate em mulher não precisa votar no Lula”, reforçando o tom de enfrentamento ao problema.

Recorde histórico de feminicídios no país

O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde o início da série histórica: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O total supera os 1.464 registros de 2024, até então a maior marca. O avanço do feminicídio ocorre mesmo com o aumento da visibilidade do tema e da adoção de instrumentos legais de proteção às mulheres.

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